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Alta do petróleo pressiona custos das companhias aéreas, mas passagens sobem menos, aponta FecomercioSP

Estudo mostra que querosene de aviação avançou 37%, enquanto preço médio dos bilhetes teve alta de 9%; câmbio e cenário econômico ajudaram a conter repasse aos passageiros

08/08/2026 às 10h23
Por: Admin Fonte: Portal Vale do Paraiba
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Alta do petróleo pressiona custos das companhias aéreas, mas passagens sobem menos, aponta FecomercioSP

A forte alta do petróleo e, consequentemente, do querosene de aviação aumentou a pressão sobre os custos das companhias aéreas nos últimos meses. Mesmo assim, esse avanço ainda não foi totalmente repassado aos preços das passagens, segundo estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

No quadrimestre encerrado em junho, o preço do querosene de aviação registrou alta de 37%. Como o combustível representa aproximadamente 32% dos custos das empresas aéreas, o impacto estimado sobre o custo total das companhias ficou próximo de 12%.

No mesmo período, porém, o preço médio das passagens aumentou cerca de 9%, indicando, segundo a entidade, um repasse apenas parcial do encarecimento do combustível.

“A reação intuitiva do consumidor é sempre a mesma: quando o petróleo explode, o medo é de que as passagens vão explodir junto. Desta vez, não foi bem assim. Os dados da Anac trabalhados nesse levantamento sugerem que as companhias não tenham repassado integralmente ao consumidor”, explica o presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, Guilherme Dietze.

Queda do dólar ajudou a aliviar outros custos

Um dos fatores que contribuíram para conter o impacto foi o comportamento do câmbio.

De acordo com a FecomercioSP, o dólar médio passou de R$ 5,25, em março, para aproximadamente R$ 5 nos meses seguintes.

A valorização do real ajudou a reduzir a pressão de despesas das companhias aéreas vinculadas à moeda norte-americana, entre elas seguros, arrendamento de aeronaves e manutenção.

Esses itens representam cerca de 22% dos custos das empresas, embora as despesas não ocorram necessariamente todos os meses.

Empresas também enfrentam limite do consumidor

Outro fator considerado pela análise é a própria situação da demanda.

O Brasil vem registrando números elevados de passageiros transportados e, até junho, a ocupação das aeronaves permanecia em torno de 82%.

Ao mesmo tempo, o cenário econômico impõe limites para aumentos mais expressivos nas tarifas. Com inflação elevada, juros altos e famílias endividadas, um avanço muito forte nos preços poderia afastar novos passageiros e fazer consumidores que já planejavam viajar reconsiderarem seus gastos.

Assim, mesmo diante da elevação dos custos, as companhias enfrentam o desafio de equilibrar preços e demanda.

Querosene passou de R$ 3,88 para R$ 5,30

Os números ajudam a dimensionar a diferença entre a evolução do combustível e das passagens.

Entre março e junho, descontada a inflação, o litro do querosene de aviação custou em média cerca de R$ 5,30. No mesmo período de 2025, o valor havia sido de R$ 3,88.

Já o preço médio dos bilhetes passou de R$ 614 para R$ 671.

Os valores representam médias e, portanto, não significam que todos os passageiros encontraram a mesma variação. Dependendo da rota, da antecedência da compra, da disponibilidade e de promoções, alguns consumidores podem ter encontrado aumentos maiores ou até preços menores.

Além do combustível, entram na formação das tarifas despesas como pessoal, manutenção, leasing e taxas.

IBGE aponta alta maior nas passagens

Os dados sobre o comportamento das tarifas podem variar conforme a metodologia utilizada.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou aumento de 52% no preço das passagens aéreas em um período de um ano, percentual significativamente superior ao observado nos dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) utilizados no levantamento.

Segundo a FecomercioSP, a diferença está relacionada à maneira como cada instituição realiza a medição.

Enquanto o IBGE acompanha preços por meio de pesquisa, considerando voos com aproximadamente dois meses de antecedência, os dados da Anac refletem os valores das passagens que foram efetivamente comercializadas.

Pressão deve continuar no segundo semestre

Apesar de as companhias terem conseguido absorver parte do aumento até agora, a FecomercioSP avalia que a pressão sobre o setor deve continuar durante o segundo semestre.

Uma nova escalada dos conflitos no Oriente Médio e uma eventual elevação adicional do petróleo podem ampliar os custos das empresas.

Nesse cenário, o desafio será determinar por quanto tempo as companhias conseguirão evitar um repasse maior aos consumidores sem comprometer suas margens.

“Espera-se que as companhias registrem mais pressão nos balanços do segundo trimestre. Ainda que receitas acessórias, como bagagens e serviços, ajudem a amortecer o impacto, a escala do aumento dos combustíveis não será totalmente compensada”, afirma Dietze.

O comportamento do petróleo, do dólar e da economia brasileira será, portanto, determinante para os preços das viagens nos próximos meses. Caso os custos permaneçam elevados por um período prolongado, a capacidade das empresas de absorver parte desses aumentos poderá ficar cada vez mais limitada.

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