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Produção pioneira de ostras em lata é desenvolvida em Santa Catarina

Projeto criado em Florianópolis contou com pesquisadores da UFSC e busca ampliar a conservação dos moluscos, agregar valor à maricultura e criar uma nova opção para turistas

08/08/2026 às 09h41
Por: Admin Fonte: Portal Vale do Paraiba
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Produção pioneira de ostras em lata é desenvolvida em Santa Catarina

Uma iniciativa desenvolvida em Florianópolis resultou na primeira produção de ostras e mexilhões enlatados do Brasil. O projeto une gastronomia, pesquisa científica e maricultura e surge como uma alternativa para ampliar a comercialização dos frutos do mar produzidos em Santa Catarina.

A proposta nasceu de uma ideia do chef Helton Costa, que buscava criar uma forma de o turista levar para casa um produto ligado à gastronomia catarinense. Para transformar o projeto em realidade e garantir a segurança sanitária dos alimentos, pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) participaram do desenvolvimento.

Foram aproximadamente um ano e meio de pesquisas e testes até chegar ao processo utilizado atualmente.

Santa Catarina concentra produção nacional

A iniciativa ganha importância especialmente pelo peso da maricultura na economia catarinense. Santa Catarina responde atualmente por 98% da produção brasileira de ostras e mariscos.

Em Florianópolis, a atividade começou a ganhar espaço na década de 1980 e se transformou em fonte de renda para centenas de famílias, além de contribuir para a gastronomia e para o turismo da capital.

A possibilidade de conservar os moluscos em latas também abre uma alternativa para enfrentar uma das dificuldades da atividade: as oscilações da produção ao longo do ano.

Mudanças nas condições climáticas e na temperatura da água podem provocar períodos de excesso ou escassez, afetando diretamente os produtores.

Segurança alimentar exigiu estudos

Um dos principais desafios do projeto foi desenvolver um processo capaz de aumentar a vida útil dos produtos sem comprometer a segurança alimentar.

Antes de serem colocados nas latas, os frutos do mar passam por etapas de classificação, aquecimento e pesagem. Depois, já embalados, são submetidos a um processo de esterilização.

Pesquisadores da UFSC estabeleceram parâmetros específicos de temperatura, pressão e resfriamento para cada produto.

A etapa é essencial porque alimentos enlatados podem permanecer armazenados durante períodos mais longos e, por isso, precisam passar por processos capazes de impedir o desenvolvimento de microrganismos.

Enquanto os pesquisadores trabalharam na parte microbiológica e sanitária, os chefs buscaram preservar características como sabor, textura e aparência.

Projeto vai além das ostras

Embora as ostras estejam no centro da iniciativa, o processo foi ampliado para outros frutos do mar.

Além de ostras e mexilhões, estão sendo trabalhadas opções com lulas, polvos e bacalhau.

A empresa responsável pela fabricação está instalada no bairro Saco Grande, em Florianópolis, e recebeu certificação do Serviço de Inspeção Municipal.

Segundo a Prefeitura de Florianópolis, trata-se da primeira indústria brasileira de ostras e mexilhões enlatados.

Os produtos já começaram a ser comercializados. As latas custam entre R$ 79,12 e R$ 99,23, dependendo da opção escolhida, com versões de ostras, mexilhões, lulas e polvos.

Alternativa para períodos de excesso de produção

A industrialização também pode representar uma ferramenta importante para os maricultores.

Quando existe grande disponibilidade de moluscos, transformar parte da produção em alimentos com maior período de conservação pode reduzir perdas e permitir que os produtos sejam comercializados posteriormente.

Ao mesmo tempo, a embalagem possibilita alcançar consumidores que normalmente não teriam acesso ao produto fresco.

Para pesquisadores do setor, diversificar os produtos e as formas de apresentação pode agregar valor à produção catarinense e abrir novos mercados.

Mudanças climáticas desafiam maricultura

A busca por alternativas ocorre em um momento de preocupação com os impactos das mudanças climáticas sobre a atividade.

Em abril deste ano, a maricultura catarinense enfrentou uma crise considerada histórica, associada principalmente ao aumento da temperatura da água do mar.

Alterações ambientais podem interferir diretamente no desenvolvimento e na sobrevivência dos moluscos, criando períodos de instabilidade para produtores que dependem da atividade.

Nesse cenário, a possibilidade de industrializar parte da produção surge não apenas como uma novidade gastronômica, mas como uma estratégia para diversificar o setor.

A ostra em lata também cria um novo produto associado ao turismo de Florianópolis: além de consumir os frutos do mar durante a viagem, visitantes passam a ter uma alternativa para levar um pouco da gastronomia catarinense para casa.

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