
Representantes da indústria brasileira de máquinas e equipamentos defenderam que o governo federal priorize o diálogo diplomático com os Estados Unidos em vez de adotar medidas de reciprocidade diante do chamado "tarifaço" imposto pelo governo norte-americano. A posição foi apresentada durante reunião realizada nesta terça-feira (21) com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, além de integrantes da equipe econômica do governo federal.
A principal reivindicação da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) é a ampliação do programa Brasil Soberano, iniciativa criada para oferecer linhas de crédito com condições especiais às empresas impactadas pelas novas barreiras comerciais. Segundo o setor, o acesso facilitado ao financiamento permitirá preservar investimentos, manter empregos e reduzir os impactos econômicos provocados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Durante o encontro, representantes da entidade destacaram que uma resposta baseada exclusivamente em medidas de reciprocidade pode provocar efeitos negativos para a própria indústria brasileira. Isso porque diversos fabricantes dependem da importação de componentes, máquinas e insumos utilizados em suas linhas de produção, o que poderia elevar custos e reduzir ainda mais a competitividade do setor.
Além do reforço ao programa de crédito, a Abimaq também defende a intensificação das negociações diplomáticas com o governo norte-americano e a abertura de novos mercados internacionais para diminuir a dependência das exportações destinadas aos Estados Unidos. A estratégia, segundo a entidade, pode ampliar a presença da indústria brasileira em outros países e reduzir os riscos provocados por mudanças na política comercial internacional.
Apesar do cenário de incerteza, o presidente da Abimaq, José Velloso, afirmou que a indústria de máquinas continua apresentando desempenho positivo no comércio exterior. Segundo ele, as exportações do setor cresceram cerca de 12% nos últimos doze meses, atingindo um dos maiores volumes já registrados, demonstrando a capacidade de adaptação das empresas brasileiras mesmo diante das novas barreiras tarifárias.
O governo federal vem realizando uma série de reuniões com representantes dos setores mais afetados pelo tarifaço norte-americano para definir novas medidas de apoio. Além da indústria de máquinas, segmentos como calçados, plásticos e têxteis também participam das discussões, que deverão orientar futuras ações voltadas ao fortalecimento da competitividade da economia brasileira.
Especialistas avaliam que o crédito subsidiado, aliado à diversificação dos mercados consumidores e ao fortalecimento das relações comerciais internacionais, pode ser fundamental para minimizar os impactos das restrições impostas pelos Estados Unidos e garantir maior estabilidade às exportações brasileiras.
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