Casos de problemas de coluna entre crianças e adolescentes crescem 72,8% em cinco anos e preocupam especialistas
Aumento dos atendimentos no SUS acende alerta para diagnóstico precoce de doenças que podem comprometer nervos e medula espinhal
17/07/2026 às 13h30
Por: AdminFonte: Portal Vale do Paraiba
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O crescimento expressivo dos casos de problemas de coluna entre crianças e adolescentes brasileiros tem preocupado especialistas da área da saúde. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) apontam que os atendimentos de pacientes com até 19 anos por doenças relacionadas à coluna aumentaram 72,8% nos últimos cinco anos, percentual muito superior ao crescimento observado na população em geral, que foi de 37,5% no mesmo período.
O cenário reforça a necessidade de atenção aos primeiros sintomas, especialmente porque a dor nas costas nem sempre está relacionada apenas à má postura ou ao esforço físico. Em muitos casos, o desconforto pode indicar alterações neurológicas que exigem investigação médica especializada.
Segundo informações do Maryland Neuromuscular Center, nos Estados Unidos, algumas doenças que afetam diretamente a coluna vertebral e os nervos podem provocar sintomas que vão muito além da dor localizada. Entre as condições mais comuns estão a hérnia de disco, a estenose espinhal, a ciática e a síndrome da cauda equina, todas capazes de comprometer a qualidade de vida quando não tratadas adequadamente.
Embora muitas pessoas associem a dor lombar apenas ao desgaste muscular, especialistas alertam que a persistência dos sintomas ou o aparecimento de sinais neurológicos pode indicar compressão de nervos ou alterações na medula espinhal.
Dormência e perda de força podem indicar comprometimento neurológico
Os médicos destacam que alguns sintomas merecem atenção imediata. Sensações frequentes de dormência ou formigamento nos braços, pernas, mãos ou pés podem indicar comprometimento dos nervos, principalmente quando aparecem de forma persistente.
Outro sinal importante é a dor irradiada, que começa na coluna e se estende para membros inferiores ou superiores. Esse quadro costuma estar relacionado à compressão das raízes nervosas, bastante comum em casos de hérnia de disco.
A perda de força muscular também representa um importante sinal de alerta. Quando os nervos responsáveis pelos movimentos são afetados, atividades simples, como caminhar, subir escadas ou levantar objetos, podem se tornar mais difíceis.
Especialistas também orientam que alterações no funcionamento da bexiga ou do intestino, incluindo dificuldade para urinar ou episódios de incontinência, exigem atendimento médico imediato, pois podem estar relacionadas à síndrome da cauda equina, considerada uma emergência neurológica.
Dor persistente deve ser investigada
Outro fator que preocupa os profissionais de saúde é a permanência da dor mesmo após tratamentos convencionais, como uso de medicamentos, fisioterapia ou repouso.
De acordo com projeções da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), aproximadamente 8,7% dos brasileiros entre 18 e 29 anos convivem com dor crônica na coluna. Entre as pessoas com mais de 60 anos, esse índice chega a 26,6%, demonstrando que o problema acompanha diferentes faixas etárias e pode comprometer significativamente a qualidade de vida.
Além da dor, dificuldades para caminhar, perda de equilíbrio e alterações na coordenação motora também podem indicar comprometimento da medula espinhal e necessitam de avaliação especializada.
Dor lombar cresce em todo o mundo
O aumento dos casos não é uma realidade exclusiva do Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 600 milhões de pessoas convivam atualmente com dor lombar em todo o planeta.
As projeções indicam que esse número poderá ultrapassar 800 milhões de pessoas até 2050, caso não haja avanços significativos em medidas de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento.
A OMS considera a dor lombar uma das principais causas de incapacidade física no mundo, impactando diretamente a produtividade, a qualidade de vida e os sistemas públicos de saúde.
Diagnóstico envolve avaliação neurológica e exames específicos
O estudo "Dor Lombar", publicado na plataforma Manual MSD, explica que muitos pacientes procuram inicialmente ortopedistas ou reumatologistas. No entanto, quando há suspeita de comprometimento neurológico, o acompanhamento com um neurologista ou neurocirurgião pode ser necessário.
Durante a consulta, o especialista realiza uma avaliação clínica detalhada, analisando reflexos, força muscular, sensibilidade, coordenação motora e equilíbrio. O objetivo é identificar se os sintomas têm origem mecânica ou estão relacionados a alterações do sistema nervoso.
Dependendo da suspeita clínica, podem ser solicitados exames complementares.
A ressonância magnética é considerada um dos principais métodos para identificar hérnias de disco, compressões nervosas, inflamações e até tumores na coluna vertebral. Já a eletroneuromiografia permite avaliar o funcionamento dos nervos e músculos, auxiliando na localização de possíveis lesões neurológicas.
Em situações de trauma ou quando há necessidade de analisar alterações ósseas com maior precisão, a tomografia computadorizada também pode fazer parte da investigação.
Especialistas reforçam que o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de tratamento eficaz, reduzindo o risco de complicações permanentes e melhorando a qualidade de vida dos pacientes, especialmente entre crianças, adolescentes e jovens, grupo que apresentou o maior crescimento de atendimentos por problemas de coluna nos últimos anos.
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