
Durante 14 anos, a holandesa Nina Blom viveu acreditando que sofria de graves problemas de saúde. Ainda criança, ela foi submetida a inúmeros exames, internações e tratamentos médicos até que um médico descobriu que a verdadeira causa de seu sofrimento era a própria mãe, que provocava e simulava doenças para receber atenção dos profissionais de saúde.
O caso é classificado como síndrome de Münchausen por procuração, atualmente também conhecida como doença fabricada ou induzida por cuidador. Trata-se de uma forma de abuso infantil em que o responsável exagera, inventa ou provoca sintomas na criança, levando-a a procedimentos médicos desnecessários e colocando sua saúde em risco.
Segundo o relato de Nina, sua mãe a levou a diversos hospitais e chegou a afirmar que ela tinha uma doença muscular incurável. A menina passou a utilizar cadeira de rodas, foi submetida a sucessivas internações e chegou a acreditar que realmente estava gravemente doente. A situação só mudou quando um médico desconfiou da história e acionou os serviços de proteção à infância, permitindo que a menina fosse retirada da guarda da família.
Especialistas explicam que essa síndrome é considerada uma das formas mais graves de violência contra crianças, pois pode causar sequelas físicas e psicológicas permanentes. O diagnóstico costuma ser difícil, já que o cuidador aparenta estar extremamente preocupado com a saúde da vítima e frequentemente busca atendimento médico.
Hoje adulta, Nina publicou um livro contando sua história e afirma que reconstruir a própria vida exigiu anos de tratamento psicológico. Seu relato tem ajudado a conscientizar profissionais de saúde e a sociedade sobre a importância de identificar precocemente sinais desse tipo de abuso.
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