
Mais de 200 pessoas privadas de liberdade do Centro de Detenção Provisória (CDP) “Dr. José Eduardo Mariz de Oliveira”, em Caraguatatuba, receberam atendimento médico durante uma ação inédita articulada pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo.
A iniciativa foi realizada em parceria com o Projeto Travessia, formado por estudantes e profissionais da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, e com a direção da unidade prisional. A ação ocorreu nos dias 29 e 30 de junho e 1º de julho, com atendimentos voltados a diferentes necessidades de saúde.
Ao todo, 33 profissionais participaram da mobilização, entre 22 estudantes, dois enfermeiros e nove médicos. Durante os três dias, foram realizadas consultas clínicas, prescrições de medicamentos, solicitações de exames, encaminhamentos para especialistas e atividades de educação em saúde.
Também foram disponibilizados medicamentos obtidos por meio de doações. Em situações específicas, a equipe buscou apoio na rede pública para garantir a continuidade do tratamento dos pacientes atendidos.
A organização da ação foi conduzida pela Unidade da Defensoria Pública em Caraguatatuba, em conjunto com o Projeto Travessia e a administração do CDP. As prefeituras de Caraguatatuba e São Sebastião também contribuíram com a logística necessária para a permanência da equipe voluntária na região.
Segundo a defensora pública Alessandra Pinho da Silva, que atua na área criminal, a iniciativa demonstra a importância do trabalho integrado para ampliar o acesso a direitos fundamentais.
“A saúde é um direito de todas as pessoas e esse projeto mostra como diferentes instituições podem atuar de forma colaborativa para ampliar esse acesso”, afirmou.
Durante a ação, os profissionais encontraram principalmente casos de doenças dermatológicas, infecções respiratórias, transtornos relacionados à saúde mental e doenças crônicas sem acompanhamento adequado.
Também foram registrados atendimentos relacionados a hipertensão, diabetes, tuberculose, infecções de pele, doenças respiratórias e transtornos psiquiátricos.
A equipe solicitou exames laboratoriais e de imagem e realizou encaminhamentos para especialidades como dermatologia, infectologia, oftalmologia e odontologia. Os pacientes também receberam orientações sobre prevenção, uso correto de medicamentos e continuidade do tratamento.
Criado por estudantes da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, o Projeto Travessia desenvolve ações de saúde para populações em situação de vulnerabilidade.
O grupo já realizou atividades com comunidades quilombolas, pessoas em situação de rua e outros públicos socialmente vulnerabilizados. A experiência no CDP de Caraguatatuba foi a primeira atuação do projeto dentro de uma unidade prisional.
Além de oferecer atendimento médico, o projeto busca promover educação em saúde e proporcionar uma formação mais humanizada aos estudantes voluntários.
Para Henrique Passos Faé, diretor administrativo do Projeto Travessia e coordenador da ação no CDP, a experiência também representou aprendizado para a equipe.
“Além de poder ajudar tantas pessoas, foi uma oportunidade de crescimento para todos nós. Tivemos contato com uma população extremamente vulnerabilizada e saímos com a certeza de que queremos voltar”, declarou.
Após a realização dos atendimentos, os voluntários começaram a avaliar a possibilidade de novas edições da iniciativa.
Uma das prioridades é ampliar o número de especialidades oferecidas, principalmente com a inclusão de equipes de odontologia, área apontada como uma das principais demandas identificadas entre as pessoas atendidas.
A proposta é tornar as próximas ações mais amplas e resolutivas, com maior capacidade de diagnóstico, tratamento e acompanhamento.
A experiência reforça a importância da atuação conjunta entre universidades, órgãos públicos, sociedade civil e sistema de Justiça para garantir o acesso à saúde dentro das unidades prisionais.
Além de atender necessidades imediatas, iniciativas desse tipo podem contribuir para identificar doenças precocemente, evitar agravamentos e melhorar as condições sanitárias no sistema prisional.
A Defensoria Pública destaca que a articulação institucional é uma ferramenta importante para aproximar serviços especializados de populações que enfrentam maiores barreiras de acesso aos direitos fundamentais.
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