
O ano de 2026 deve ser marcado por eventos climáticos extremos, como ondas de calor intenso e chuvas fortes e concentradas, segundo projeções de meteorologistas. Para auxiliar na previsão desses fenômenos, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) passou a contar com um novo supercomputador, batizado de Jaci, inaugurado em dezembro.
O equipamento amplia significativamente a capacidade de processamento, análise e armazenamento de dados climáticos, permitindo previsões mais detalhadas e precisas. Em situações de risco, como enchentes e deslizamentos, as informações produzidas podem ajudar a antecipar ações do poder público e fortalecer o trabalho de monitoramento realizado pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).
Segundo o pesquisador do Cemaden, Pedro Camarinha, o padrão climático previsto é preocupante.
“Nós devemos ficar, novamente, sem chuvas significativas e, quando elas vierem, devem ser concentradas. O que pode causar enxurradas, inundações e eventualmente deslizamentos de terra”, explicou.
Chuvas irregulares aumentam risco
Mesmo com a previsão de precipitações nos próximos meses, os especialistas alertam que o problema não é apenas a quantidade de chuva, mas a forma como ela ocorre. As precipitações têm sido cada vez mais irregulares, nem sempre atingindo as regiões onde a água é mais necessária, especialmente os mananciais.
“Essas chuvas irregulares causam esse tipo de efeito. Não necessariamente elas caem no local correto para que os reservatórios sejam abastecidos. E, quando caem, muitas vezes são muito intensas, o solo não absorve e a água não é armazenada de forma eficiente”, afirmou Camarinha.
Tecnologia de ponta em Cachoeira Paulista
O supercomputador Jaci está instalado em Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo, onde fica a sede do Inpe. Atualmente, o sistema passa por um processo de atualização de dados, que deve levar cerca de seis meses.
De acordo com o coordenador de Ciências da Terra do Inpe, José Aravéquia, a nova tecnologia permite simulações mais realistas.
“Esse modelo, com resolução melhorada, consegue prever de forma mais precisa o deslocamento de ciclones, por exemplo”, destacou.
Situação dos reservatórios preocupa
Os impactos do clima extremo já podem ser observados nos níveis de água. O sistema que abastece a Grande São Paulo, na região bragantina, registrou em 2025 um volume de chuvas abaixo da média histórica.
Segundo a Sabesp, foram 1.141 milímetros de chuva, o equivalente a apenas 77% do volume esperado. A média histórica anual é de 1.481 milímetros, o que reforça o alerta para os próximos anos.
Com o apoio do supercomputador, a expectativa dos pesquisadores é que o Brasil consiga antecipar riscos, reduzir danos e melhorar a capacidade de resposta diante dos eventos climáticos cada vez mais extremos.
Mín. 13° Máx. 21°


