

O câncer de cabeça e pescoço continua sendo um dos tipos de tumor mais frequentemente diagnosticados em estágio avançado no Brasil. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que oito em cada dez brasileiros (80%) recebem o diagnóstico quando a doença já está em uma fase mais avançada, cenário que diminui significativamente as possibilidades de cura e aumenta a necessidade de tratamentos mais complexos.
O alerta faz parte da campanha Julho Verde, movimento internacional de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, que busca informar a população sobre os principais fatores de risco, sintomas e a importância do diagnóstico precoce.
Especialistas destacam que reconhecer os primeiros sinais e procurar atendimento médico rapidamente pode fazer toda a diferença no sucesso do tratamento e na preservação da qualidade de vida do paciente.
Segundo o otorrinolaringologista e cirurgião de cabeça e pescoço Lucas Spina, do Eco Medical Center, identificar a doença ainda nas fases iniciais permite tratamentos menos invasivos e aumenta consideravelmente as chances de recuperação.
"Nessas fases, os índices de cura podem ser superiores a 80% ou 90%, além de permitir cirurgias menores e menos agressivas, preservando funções essenciais como falar, mastigar, engolir e respirar", explica o especialista.
Quando o câncer é descoberto tardiamente, entretanto, os tratamentos costumam envolver cirurgias mais extensas, radioterapia e quimioterapia, podendo comprometer estruturas importantes da boca, garganta e pescoço.
Os médicos orientam que qualquer alteração na região da boca, garganta ou pescoço que permaneça por mais de 15 dias deve ser investigada.
Entre os principais sinais de alerta estão:
Embora esses sintomas também possam estar relacionados a outras doenças, sua persistência exige avaliação médica para descartar a presença de tumores.
O tabagismo permanece como o principal fator associado ao câncer de cabeça e pescoço.
Segundo especialistas, todas as formas de consumo de tabaco representam risco para o desenvolvimento da doença.
O perigo torna-se ainda maior quando o cigarro é associado ao consumo frequente de bebidas alcoólicas.
Essa combinação produz o chamado efeito sinérgico, no qual as duas substâncias potencializam mutuamente seus efeitos nocivos sobre as células da boca, garganta e laringe, aumentando significativamente a probabilidade de surgimento do câncer.
Além do tabaco e do álcool, outros fatores também podem contribuir para o desenvolvimento do câncer de cabeça e pescoço.
Entre eles estão:
Especialistas também chamam atenção para uma mudança no perfil dos pacientes.
Tem aumentado o número de adultos jovens que nunca fumaram, mas desenvolveram tumores na região da orofaringe — especialmente nas amígdalas e na base da língua — associados à infecção pelo HPV.
A boa notícia é que grande parte dos fatores de risco pode ser reduzida por meio de hábitos saudáveis.
Entre as principais medidas preventivas estão:
Além de reduzir o risco de câncer, essas medidas contribuem para a saúde geral do organismo.
A campanha Julho Verde tem como principal objetivo ampliar o conhecimento da população sobre uma doença que ainda apresenta elevados índices de diagnóstico tardio no Brasil.
Para os especialistas, o maior desafio continua sendo fazer com que as pessoas não ignorem sintomas aparentemente simples.
Uma ferida na boca, uma rouquidão persistente ou um caroço no pescoço podem parecer alterações sem gravidade, mas, quando permanecem por mais de duas semanas, devem ser avaliados por um profissional de saúde.
O diagnóstico precoce continua sendo a principal ferramenta para aumentar as chances de cura, reduzir a necessidade de tratamentos agressivos e preservar funções essenciais como falar, respirar, mastigar e engolir, garantindo mais qualidade de vida aos pacientes.
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