
A proteína deixou de ser um nutriente associado apenas a atletas e praticantes de musculação e passou a ocupar espaço cada vez maior na alimentação cotidiana dos brasileiros. Presente em cafés, bebidas, cereais, iogurtes, snacks e diversos alimentos industrializados, ela vem sendo relacionada à saciedade, à manutenção da massa muscular e ao bem-estar.
Com o avanço dos chamados alimentos proteinados, também cresce uma dúvida comum entre os consumidores: afinal, quanta proteína o corpo precisa por dia?
A resposta depende de fatores como peso corporal, idade, rotina, prática de atividade física, objetivos individuais e condições de saúde. Para adultos saudáveis, uma referência amplamente utilizada é o consumo médio de aproximadamente 0,8 grama de proteína por quilo de peso corporal ao dia.
Na prática, isso significa que uma pessoa com 60 quilos precisaria consumir cerca de 48 gramas de proteína diariamente. Já alguém com 80 quilos teria uma necessidade estimada em aproximadamente 64 gramas ao longo do dia.
A proteína participa de diferentes processos fundamentais para o funcionamento do corpo humano.
Entre suas principais funções estão a construção e manutenção dos músculos, a produção de hormônios e enzimas, a recuperação dos tecidos e o fortalecimento de diferentes estruturas do organismo.
O nutriente também contribui para aumentar a sensação de saciedade, o que pode ajudar na organização da alimentação e no controle da ingestão ao longo do dia.
Para Gisele Pavin, head de Nutrição, Saúde e Bem-Estar da Nestlé Brasil, o aumento do interesse por proteína reflete uma mudança no comportamento do consumidor, que passou a observar com mais atenção a funcionalidade dos alimentos.
Segundo a especialista, pessoas mais jovens costumam associar a proteína à energia, ao desempenho físico e à praticidade. Entre os adultos, o nutriente é relacionado à manutenção de uma rotina equilibrada. Já entre os consumidores mais maduros, aparece como aliado da vitalidade, da autonomia e do envelhecimento saudável.
Apesar dos benefícios, ela reforça que tão importante quanto consumir proteína é observar a qualidade, a quantidade e o contexto geral da alimentação.
O cálculo básico pode ser feito multiplicando o peso corporal pela recomendação média de 0,8 grama.
Uma pessoa com 70 quilos, por exemplo, teria uma necessidade aproximada de 56 gramas de proteína por dia.
Esse valor, no entanto, não deve ser tratado como uma regra única para todas as pessoas. Atletas, idosos, gestantes, pessoas em recuperação de doenças ou indivíduos com objetivos específicos de ganho de massa muscular podem apresentar necessidades diferentes.
Por isso, a orientação de nutricionistas ou médicos é importante para definir a quantidade mais adequada em cada situação.
A proteína pode ser encontrada tanto em alimentos de origem animal quanto vegetal.
Confira alguns exemplos e a quantidade média presente em porções comuns:
Outras fontes incluem carnes, peixes, queijos, lentilha, grão-de-bico, soja, ervilha e diferentes tipos de castanhas.
A recomendação é distribuir o consumo ao longo do dia, em vez de concentrar grandes quantidades em apenas uma refeição.
O interesse crescente por alimentos com maior teor de proteína também vem modificando a indústria alimentícia.
Pesquisa realizada pela área de Consumer Insights da Nestlé, entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, com 500 pessoas entre 18 e 54 anos, apontou que 71% dos entrevistados já consumiam produtos com proteína.
Esse comportamento estimula o desenvolvimento de bebidas, cereais, cafés, iogurtes e snacks voltados a consumidores que buscam praticidade, sabor e funcionalidade.
As empresas também passaram a criar produtos direcionados a diferentes momentos do dia, como café da manhã, lanches, pós-treino e alimentação durante a rotina de trabalho.
Apesar da popularidade, especialistas alertam que aumentar indiscriminadamente a ingestão de proteína não garante uma alimentação equilibrada.
O organismo também necessita de carboidratos, gorduras, fibras, vitaminas, minerais e água para funcionar adequadamente.
Além disso, produtos industrializados com destaque para a proteína podem conter quantidades elevadas de açúcar, gordura, sódio ou aditivos. Por isso, é importante analisar o rótulo completo e não apenas a quantidade de proteína indicada na embalagem.
Em pessoas saudáveis, o consumo adequado de proteína costuma ser bem tolerado. Entretanto, dietas com quantidades muito elevadas, especialmente sem orientação profissional, podem não ser recomendadas para todos.
Pessoas com doenças renais, hepáticas ou outras condições específicas devem buscar avaliação médica antes de aumentar significativamente o consumo.
A melhor estratégia é priorizar variedade, equilíbrio e alimentos de boa qualidade, adaptando a ingestão às necessidades individuais.
O crescimento dos alimentos proteinados mostra que os brasileiros estão cada vez mais atentos à saúde e à composição nutricional dos produtos.
No entanto, especialistas reforçam que não existe um alimento isolado capaz de garantir saúde ou boa forma.
A proteína deve fazer parte de uma alimentação variada, com frutas, verduras, legumes, cereais, fontes de gorduras saudáveis e hidratação adequada.
Com orientação profissional e escolhas equilibradas, o nutriente pode contribuir para a manutenção muscular, a recuperação do organismo, a saciedade e a qualidade de vida em diferentes fases da vida.
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