
Nos dias 8 (sexta-feira) e 9 (sábado) de maio, as 20h, o Teatro Sesc Taubaté recebe o espetáculo JECA - Um Povo Ainda Há de Vingar, musical original do Grupo 59 de Teatro que se tornou um dos destaques da cena paulistana em 2025, com sessões lotadas e ampla
repercussão de público e crítica. Livremente inspirado no álbum Refazenda (1975), de Gilberto Gil - que completou 50 anos em 2025 -, o espetáculo transforma em linguagem cênica o universo poético, musical e simbólico do disco, considerado um dos mais importantes LPs da música popular brasileira e marcado pela relação com a terra, pela força das ancestralidades e pelas culturas do interior
do Brasil. A passagem do musical por Taubaté estabelece um diálogo direto com o território. Foi na
cidade que Amácio Mazzaropi criou seu estúdio e consolidou no cinema a figura do Jeca
Tatu, personagem que atravessa o imaginário brasileiro. Em cena, o espetáculo parte de "Jeca Total", canção em que Gilberto Gil tensiona o imaginário consolidado no cinema por Mazzaropi, deslocando-o do estigma para a potência. Surge assim um Jeca não como
caricatura, mas como figura coletiva e simbólica, ligada à terra, à memória e à reinvenção. Com 10 atores e 4 músicos em cena, JECA constrói uma dramaturgia musical que articula canções de Gilberto Gil a composições originais, criando uma narrativa estruturada em ciclos - retornos, encontros e transformações. A dramaturgia é assinada por Lucas Moura da Conceição, com poemas cênicos de Marcelino Freire - um dos principais nomes da poesia e literatura brasileira contemporânea, autor de Contos Negreiros (Prémio Jabuti) e finalista do prêmio em 2025. A encenação, assinada por Kleber Montanheiro (também responsável por "Gal - O Musical", atualmente em cartaz na capital), aposta na força visual
e sensorial para transformar o palco em um espaço de memória e travessia. Este trabalho marca o início de uma série de três peças que bebem na fonte da Trilogia Re, de Gilberto Gil, composta também pelos álbuns Refavela (1977) e Realce (1979), um retrato musicado de um Brasil rural, negro e cintilante. Segundo o dramaturgo Lucas Moura da Conceição, JECA bebe na essência desse primeiro álbum da Trilogia Re em que "tudo se trata de tecnologia sertaneja; da caminha dura que fortalece a coluna e o espírito para os
garimpos da alma rumo à sede de uma terra que impulsiona o novo; da banalidade profunda.
Teatro Sesc Taubaté
Datas: 8 e 9 de maio de 2026 (sexta e sábado)
Horário: 20h
Ingressos: R$15 (credencial plena) | R$25 (meia) | R$50 (inteira)
Acessibilidade: sessão com intérprete de Libras no dia 09/05
Duração: 120 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Mín. 20° Máx. 28°


