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Piraíba surpreende cientistas ao percorrer mais de 890 km no Rio Araguaia e revela força das rotas migratórias

Monitoramento inédito mostra comportamento impressionante do maior bagre da América do Sul e acende alerta para preservação dos rios

20/03/2026 às 16h05
Por: Admin Fonte: Portal Vale do Paraiba
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Piraíba surpreende cientistas ao percorrer mais de 890 km no Rio Araguaia e revela força das rotas migratórias

Uma descoberta impressionante no coração do Brasil tem chamado a atenção da comunidade científica: uma piraíba (Brachyplatystoma filamentosum), considerada o maior bagre da América do Sul, percorreu mais de 890 quilômetros no Rio Araguaia, em um dos monitoramentos mais relevantes já registrados para a espécie.

O feito foi documentado pelo Projeto Peixara e vai além de um simples número. O registro reforça a importância do Rio Araguaia como um verdadeiro corredor ecológico para espécies migradoras, além de ampliar o entendimento científico sobre o comportamento desses peixes.

A jornada começou em 27 de junho de 2025, entre os municípios de Aruanã (GO) e Cocalinho (MT), quando o animal — com 1,15 metro e 15,4 quilos — recebeu um transmissor implantado por meio de radiotelemetria. A partir daí, os pesquisadores acompanharam cada movimento do peixe.

Os dados surpreenderam: a piraíba percorreu cerca de 360 quilômetros rio acima em 32 dias, em um deslocamento associado à reprodução. Já na descida, o comportamento chamou ainda mais atenção — foram 477 quilômetros em apenas 15 dias, uma velocidade três vezes maior.

Segundo a pesquisadora Lisiane Hahn, coordenadora do projeto, a diferença não se explica apenas pela força da correnteza.

“A correnteza ajuda, mas não explica tudo. Na descida, o peixe gasta menos energia e consegue utilizar o fluxo do rio como um ‘transporte natural’. Já na subida, o movimento é mais lento, estratégico e exige maior esforço, especialmente por estar ligado ao processo reprodutivo”, explica.

Outro ponto que intrigou os pesquisadores foi um intervalo de mais de 70 dias sem registros contínuos em uma região próxima a Ribeirãozinho (MT). No entanto, a análise mostrou que o peixe não permaneceu parado.

Na prática, ele passou pelo ponto durante a subida e, cerca de dois meses depois, foi novamente detectado na descida — o que indica que pode ter avançado ainda mais, possivelmente até áreas próximas às nascentes do Araguaia.

Os 890 quilômetros registrados, portanto, podem ser apenas parte da trajetória real do animal, já que ele ultrapassou os limites da área monitorada.

O acompanhamento foi possível graças à técnica de radiotelemetria, que permite rastrear os movimentos dos peixes por meio de transmissores implantados com segurança. Antenas distribuídas ao longo de mais de 580 quilômetros do rio captam sinais que revelam padrões de deslocamento, comportamento e uso do habitat.

Para Lisiane, mesmo após mais de 25 anos de experiência, cada novo registro continua sendo surpreendente.

“Mesmo com tantos anos de trabalho, esses peixes ainda nos surpreendem. Cada movimento registrado traz novas respostas e também novas perguntas. É algo emocionante e inspirador”, afirma.

Além do impacto científico, a descoberta também acende um alerta importante sobre a preservação do Rio Araguaia. Espécies como a piraíba são fundamentais para o equilíbrio ecológico e funcionam como indicadores da saúde do ambiente.

Entre as principais ameaças estão a sobrepesca, as mudanças climáticas e, principalmente, a construção de barragens, que podem interromper rotas migratórias essenciais para a reprodução.

“As barragens representam uma barreira física que pode impedir completamente o acesso dos peixes a áreas de desova, comprometendo todo o ciclo de vida dessas espécies”, alerta a pesquisadora.

O objetivo do Projeto Peixara é transformar esses dados em ferramentas para orientar políticas públicas e decisões ambientais, garantindo que rios como o Araguaia continuem funcionando como corredores naturais para a biodiversidade.

A trajetória da piraíba, além de impressionar pela resistência, reforça um ponto essencial: a preservação dos rios é fundamental para manter viva a dinâmica da natureza.

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