
Os Estados Unidos e o Brasil avançam nas negociações para um acordo estratégico envolvendo minerais críticos e terras raras, essenciais para setores como tecnologia, energia e defesa. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (18) por Gabriel Escobar, encarregado de negócios norte-americano no país.
Segundo Escobar, já existe uma proposta de acordo em nível federal em análise, após discussões iniciais entre os dois países. A declaração foi feita durante um evento promovido pela embaixada dos Estados Unidos, que reuniu investidores e empresas interessadas no setor mineral brasileiro.
O avanço nas tratativas ocorre após a assinatura de um acordo preliminar entre os Estados Unidos e o estado de Goiás, que possui importantes reservas de lítio e nióbio, além de abrigar a única operação comercial de terras raras do Brasil.
A movimentação faz parte de uma estratégia americana para ampliar o acesso a minerais críticos e reduzir a dependência da China, que atualmente domina grande parte da cadeia global desses recursos.
Apesar do interesse econômico, as negociações acontecem em meio a tensões diplomáticas entre Washington e Brasília. O clima se agravou após um pedido de autoridades americanas para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, o que foi interpretado pelo governo brasileiro como tentativa de interferência em assuntos internos.
O episódio levou ao esvaziamento de um evento da embaixada dos EUA, após a retirada de representantes do governo brasileiro.
Além disso, integrantes do governo federal criticaram o acordo firmado diretamente com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, visto como uma tentativa de contornar as negociações com Brasília.
Nos bastidores, a parceria prevê cooperação em áreas como mapeamento mineral, desenvolvimento tecnológico, conexão com empresas americanas e aprimoramento regulatório do setor.
De acordo com autoridades dos EUA, já foram identificados mais de 50 projetos de mineração no Brasil com potencial para atrair investimentos bilionários e fortalecer a posição do país no mercado global de minerais estratégicos.
As negociações seguem em andamento e podem avançar em uma possível visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington, ainda sem data definida.
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