

A cólica menstrual é frequente entre mulheres, mas a ideia de que toda dor durante a menstruação deve ser considerada normal pode contribuir para atrasar a identificação de problemas de saúde. Intensidade, frequência e impacto dos sintomas na rotina são fatores importantes para determinar quando é necessário procurar avaliação médica.
Segundo o cirurgião ginecológico e pesquisador Dr. Igor Chiminacio, nem toda mulher que apresenta cólicas tem endometriose, porém episódios intensos e recorrentes merecem atenção. Há pacientes que convivem durante anos com sintomas antes de receberem um diagnóstico.
A dor relacionada à endometriose também não precisa ficar restrita à região pélvica. Ela pode atingir áreas como lombar, virilha e pernas, e a relação desses sintomas com o período menstrual pode fornecer informações importantes durante a investigação.
Exames como ultrassonografia e ressonância magnética auxiliam na identificação da doença, mas devem ser avaliados em conjunto com a história clínica, os sintomas e o exame físico. Por isso, um resultado de imagem sem alterações, isoladamente, não deve encerrar a investigação quando existem sintomas relevantes.
Chiminacio também desenvolveu a chamada “Teoria do Polvo”, uma forma didática de explicar a anatomia da dor na endometriose. O conceito foi apresentado no Congresso Global da AAGL, em Vancouver, em 2025, em trabalho publicado no Journal of Minimally Invasive Gynecology.
Um dos principais sinais de alerta é quando a cólica impede a mulher de trabalhar, estudar, praticar exercícios ou realizar atividades cotidianas. Dores intensas, persistentes ou que se repetem ao longo dos ciclos devem ser avaliadas por um profissional de saúde para investigar suas possíveis causas, incluindo a endometriose.
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