

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou nesta segunda-feira (24), durante a abertura da Febraban Tech 2026, os avanços promovidos pelo Pix na inclusão financeira dos brasileiros, mas também chamou atenção para um efeito que acompanha a expansão do acesso ao sistema: o risco de maior endividamento das famílias.
Segundo Galípolo, o sistema de pagamentos instantâneos realizou cerca de 80 bilhões de transações em 2025, movimentando aproximadamente R$ 35 trilhões. O Pix alcançou 140 milhões de consumidores e 12,8 milhões de empresas, demonstrando a dimensão adquirida pela ferramenta no cotidiano financeiro brasileiro.
Para o presidente do BC, ampliar o acesso aos serviços financeiros representa um avanço importante. Entretanto, a inclusão também facilita a contratação de crédito, tornando necessário discutir a qualidade do endividamento assumido pelos consumidores.
Galípolo ressaltou que possuir uma dívida não é necessariamente algo negativo. Financiamentos utilizados para aquisição de patrimônio, como um imóvel, possuem características diferentes de dívidas contraídas para consumo imediato. A preocupação aumenta principalmente quando o consumidor recorre a modalidades com juros elevados.
Um dos exemplos é o crédito rotativo. Segundo os números apresentados no evento, essa modalidade alcança juros de 15,1% ao mês e afeta milhões de brasileiros.
O Banco Central estuda medidas relacionadas à educação financeira e à gestão dos riscos assumidos pelas instituições. A discussão acontece em um momento no qual a tecnologia ocupa espaço cada vez maior no sistema bancário: 83% das transações financeiras já são realizadas por meios digitais.
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