
Uma nova pesquisa sobre o funcionamento do cérebro durante o sono revelou que pessoas cegas experimentam os sonhos de maneira diferente daquelas que enxergam. O estudo indica que, na ausência da visão, o cérebro passa a utilizar de forma muito mais intensa outros sentidos, como olfato, audição, tato e paladar, criando experiências oníricas bastante particulares.
Os pesquisadores observaram que pessoas que nasceram cegas ou perderam a visão muito cedo raramente sonham com imagens. Em vez disso, os sonhos são formados principalmente por sons, aromas, texturas, temperaturas, movimentos e emoções, demonstrando a capacidade do cérebro de reorganizar a forma como constrói a imaginação.
Já indivíduos que perderam a visão apenas na fase adulta ainda podem apresentar elementos visuais nos sonhos, especialmente relacionados a lembranças acumuladas antes da perda da capacidade de enxergar.
Segundo os especialistas, o estudo reforça o conceito de neuroplasticidade, capacidade do cérebro de reorganizar seus circuitos para compensar limitações sensoriais.
Na prática, regiões cerebrais normalmente utilizadas para o processamento visual passam a colaborar com outras funções, tornando a percepção de sons, cheiros e estímulos táteis ainda mais rica durante o sono.
Os pesquisadores destacam que os sonhos continuam desempenhando papel importante na consolidação da memória, no processamento das emoções e na organização das experiências vividas, independentemente da presença de imagens.
A descoberta contribui para ampliar o conhecimento científico sobre o funcionamento da mente humana e demonstra que a imaginação não depende exclusivamente da visão.
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