
Uma comerciante de Jacareí foi vítima do chamado “golpe do falso médico” e perdeu R$ 2,5 mil após ser enganada por um criminoso que se passou por profissional de saúde em um hospital de São José dos Campos. O caso reforça o alerta para uma prática criminosa que tem se repetido no Vale do Paraíba, explorando momentos de fragilidade emocional de familiares de pacientes internados.
De acordo com o relato da vítima, Adriana de Paula Silva, o contato foi feito por celular. O golpista afirmou que o filho dela, que estava internado, precisava realizar um exame com urgência. Na abordagem, o criminoso alegou que o procedimento não poderia aguardar a autorização do convênio e que seria necessário um pagamento imediato via Pix.
A comerciante contou que, até então, a última informação que tinha era de que o filho se recuperava de uma cirurgia, o que aumentou o desespero diante da suposta emergência médica. Diante da pressão e da gravidade apresentada na mensagem, ela conseguiu o valor emprestado com amigos e realizou a transferência.
Pouco depois, desconfiada, Adriana decidiu ir até o hospital para confirmar a situação e descobriu que havia sido vítima de um golpe. Segundo ela, ao chegar ao local, foi informada de que não era a única pessoa a passar pela situação no mesmo dia.
“Quando eu cheguei lá, eu fui a sexta pessoa”, relatou.
Casos semelhantes já foram registrados na região. Em outra ocorrência, uma família recebeu mensagens de um suposto médico informando que uma paciente internada na UTI precisaria de um exame urgente após a identificação de uma bactéria no sangue. O criminoso chegou a realizar ligação telefônica para reforçar a versão e solicitou o pagamento de R$ 4,9 mil, também sob a promessa de reembolso posterior.
Especialistas alertam que esse tipo de golpe se baseia na obtenção de informações sensíveis sobre pacientes, o que aumenta a credibilidade da abordagem. Segundo o advogado Rodrigo Souza, os criminosos se aproveitam do estado emocional das famílias para induzir decisões rápidas.
Ele explica que, em situações como essa, pode haver responsabilidade da instituição hospitalar caso seja comprovado vazamento de dados. Além do prejuízo financeiro, também pode haver direito à indenização por danos morais, devido ao abalo psicológico causado.
“Mesmo quando não há transferência de dinheiro, o dano emocional já pode ser considerado”, destacou o advogado.
Procurado, o Hospital Antoninho da Rocha Marmo informou que não realiza qualquer tipo de cobrança por telefone e orienta que contatos suspeitos sejam ignorados e comunicados imediatamente à instituição.
O hospital afirmou ainda que todas as denúncias são investigadas internamente, com atuação da ouvidoria, setor jurídico e monitoramento contínuo com apoio da área de tecnologia da informação.
As autoridades reforçam que familiares de pacientes devem sempre confirmar diretamente com a unidade de saúde qualquer solicitação de pagamento e nunca realizar transferências sem verificação oficial.
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