
A Polícia Federal revelou novos detalhes sobre o funcionamento do esquema criminoso investigado na Operação Narco Fluxo, deflagrada nesta quarta-feira (15), que resultou na prisão dos funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de influenciadores digitais e outros investigados.
De acordo com as autoridades, a organização criminosa movimentou mais de R$ 1,6 bilhão por meio de um sistema estruturado de lavagem de dinheiro que envolvia apostas ilegais, rifas digitais clandestinas, uso de criptomoedas e operações financeiras complexas para ocultar a origem dos recursos.
A operação mobilizou mais de 200 agentes e cumpriu 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal, configurando uma das maiores ações recentes da Polícia Federal contra crimes financeiros no país.
Segundo as investigações, o esquema tinha início na captação de recursos por meio de plataformas de apostas não regulamentadas e rifas ilegais, que arrecadavam valores de milhares de pessoas. Esse dinheiro era inicialmente fragmentado e distribuído em diversas contas bancárias, dificultando o rastreamento pelas autoridades.
Na sequência, os valores eram direcionados para uma rede organizada de operadores financeiros, empresas e intermediários, responsáveis por concentrar, redistribuir e reinserir os recursos no sistema econômico formal.
A investigação identificou funções bem definidas dentro da organização, com integrantes responsáveis pela captação, circulação e ocultação dos valores, além de operadores encarregados da etapa final da lavagem.
Para dissimular a origem ilícita do dinheiro, o grupo utilizava práticas comuns em esquemas de lavagem, como o fracionamento de transferências — técnica conhecida como “smurfing” — além do uso de criptomoedas e movimentações entre contas de terceiros.
Também foram identificados indícios do uso de “laranjas”, com transferência de bens e empresas para nomes de terceiros, incluindo familiares, como forma de dificultar a identificação dos verdadeiros responsáveis pelos ativos.
Um dos pontos centrais do esquema era o uso de empresas ligadas ao setor artístico e de entretenimento para dar aparência de legalidade aos recursos. Segundo a Polícia Federal, parte do dinheiro era utilizada para custear carreiras artísticas, incluindo produção de conteúdo, shows e despesas operacionais.
Além disso, influenciadores digitais com grande alcance nas redes sociais eram utilizados para promover plataformas de apostas e rifas ilegais, contribuindo diretamente para a entrada de novos recursos no esquema.
Entre os investigados está Raphael Sousa Oliveira, além da influenciadora Chrys Dias, ambos apontados como peças relevantes na estratégia de divulgação e ampliação das atividades.
Segundo a PF, o uso de figuras públicas facilitava a movimentação de grandes quantias sem levantar suspeitas imediatas, explorando a credibilidade e o alcance desses perfis junto ao público.
Após as etapas de ocultação e reinserção no sistema financeiro, os recursos eram convertidos em patrimônio de alto valor. A investigação aponta a aquisição de imóveis, veículos de luxo, joias e outros bens, frequentemente exibidos nas redes sociais como forma de ostentação.
Para a Polícia Federal, essa fase representa a etapa final da lavagem de dinheiro, quando os valores já aparentam origem lícita e passam a circular com menor risco de identificação.
Os investigados poderão responder por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As defesas dos artistas informaram que ainda não tiveram acesso completo aos autos do processo.
A Polícia Federal segue com as investigações para identificar outros envolvidos e aprofundar a apuração sobre a estrutura e o alcance do esquema, considerado de alta complexidade e com ramificações nacionais e internacionais.
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