
Pesquisadores da Universidade de São Paulo avançaram em um estudo que pode transformar o diagnóstico da depressão no futuro. A investigação revelou que alterações genéticas presentes no sangue também estão relacionadas a mudanças no cérebro de pessoas com o transtorno.
A descoberta reforça a ideia de que a depressão não é apenas uma condição mental, mas uma doença sistêmica, que afeta todo o organismo. Os resultados foram publicados na revista científica Scientific Reports.
Segundo os pesquisadores, a identificação desses padrões genéticos pode permitir, no futuro, o desenvolvimento de exames de sangue capazes de detectar o tipo e até o grau da depressão, tornando o diagnóstico mais rápido e preciso.
“Mapeamos essa rede de genes que conecta os sistemas imunológico e nervoso. A depressão é um fenômeno sistêmico, que se espalha pelo corpo inteiro”, explicou Otávio Cabral-Marques, coordenador da pesquisa.
Essa conexão ajuda a explicar por que pessoas com depressão frequentemente apresentam sintomas físicos, como inflamações, alterações no apetite e outros problemas de saúde.
Para chegar aos resultados, os cientistas analisaram mais de 3 mil amostras de sangue de bancos internacionais, incluindo dados dos Estados Unidos, Alemanha e França.
Esses dados indicam que o sangue pode funcionar como um “espelho biológico” do que acontece no cérebro.
A pesquisa também reforça que a depressão está ligada a outras doenças e condições, como:
De acordo com a pesquisadora Anny Silva Adri, o estudo abre caminho para uma nova abordagem no tratamento.
“A inflamação e a desregulação molecular não afetam apenas o cérebro, mas se espalham por diferentes órgãos, ampliando o impacto da doença”, destacou.
Embora ainda precise de validação clínica, o estudo indica que exames de sangue poderão, futuramente:
Além disso, os resultados apontam para terapias que atuem também no controle da inflamação, e não apenas nos sintomas psicológicos.
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