
O Padre Márlon Múcio, de Taubaté, recebeu alta hospitalar após enfrentar um quadro de saúde extremamente grave ao longo do mês de março. A informação foi confirmada pelo próprio religioso nesta terça-feira (31), após dias de recuperação em casa.
Apesar da alta ter ocorrido no dia 27, o padre optou por não divulgar imediatamente, devido à instabilidade do quadro clínico, que resultou em múltiplas internações no período.
“Dos 31 dias de março, eu fiquei internado 26. Graças a Deus, já estou em casa. O tratamento continua agora aqui”, relatou.
Durante a primeira internação, Márlon foi diagnosticado com meningoencefalite, uma inflamação grave das meninges, que pode causar danos severos ao cérebro e apresenta alto risco de morte.
O quadro foi crítico: o religioso permaneceu oito dias em coma induzido e perdeu mais de 27 quilos durante o tratamento.
“A meningoencefalite é terrível. É gravíssima, pouco comum e muito letal. Precisa de intervenção urgente”, explicou.
Segundo ele, ainda será necessário aguardar cerca de 60 dias para confirmar se não houve sequelas.
Após receber a primeira alta, o padre voltou para casa, mas precisou ser internado novamente no dia 24 de março, desta vez devido a uma queda brusca da pressão arterial, que chegou a níveis críticos de 5 por 3.
“O mal-estar é terrível, você pensa que vai desmaiar e morrer”, relatou.
A segunda internação durou quatro dias, e desde então ele segue em recuperação domiciliar, com acompanhamento médico e restrição de visitas devido à baixa imunidade.
Em suas redes sociais, Márlon compartilhou palavras de médicos que acompanharam seu caso, destacando a gravidade da situação.
“Um médico disse que eu deveria escrever um novo livro sobre as limonadas que fiz com esses limões tão azedos. Outro afirmou que nunca tinha visto alguém sobreviver à meningoencefalite dessa forma. Disseram que sou um milagre vivo”, contou.
Padre Márlon convive com uma doença rara chamada Deficiência do Transportador de Riboflavina (RTD), que afeta o sistema nervoso e exige tratamento contínuo.
Diagnosticado aos 45 anos, ele enfrenta limitações desde a infância, quando perdeu a audição aos 7 anos. Atualmente, utiliza respirador contínuo e chega a tomar mais de 300 comprimidos por dia.
Mesmo diante das dificuldades, o religioso se tornou referência nacional na luta por pacientes com doenças raras. Ele é fundador da Comunidade Missão Sede Santos e idealizador de um hospital voltado ao atendimento dessas condições em Taubaté.
Além disso, é autor de mais de 40 livros, possui cerca de 1,5 milhão de seguidores nas redes sociais e teve sua trajetória retratada no filme Milagre Vivo.
Segundo o Ministério da Saúde, doenças raras são aquelas que afetam até 1 pessoa a cada 2 mil. No Brasil, cerca de 13 milhões de pessoas convivem com algum tipo de condição rara.
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