
A prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, realizada nesta quarta-feira (18) em São José dos Campos, foi baseada em uma série de laudos periciais que apontam que a morte da soldado Gisele Alves Santana não foi suicídio, como inicialmente alegado, mas sim um caso de feminicídio.
A Polícia Técnico-Científica produziu mais de 20 laudos em menos de um mês. Os resultados foram determinantes para o indiciamento do oficial por feminicídio e fraude processual.
Confira os principais pontos apontados pela perícia:
🔎 Principais indícios levantados pela perícia
O disparo foi feito de baixo para cima, com o cano da arma encostado na cabeça.
Não foram encontrados vestígios de pólvora nas mãos da vítima nem do suspeito.
A posição do corpo — caída e segurando a arma — é considerada incomum em casos de suicídio.
A vítima teria sido abordada por trás, com o rosto imobilizado antes do disparo.
Marcas no rosto indicam tentativa de defesa no momento do tiro.
A dinâmica do sangue sugere que o corpo foi movimentado após o disparo.
A arma teria sido colocada na mão da vítima após a morte, simulando suicídio.
Vestígios de sangue foram encontrados na roupa do suspeito.
O pedido de socorro foi feito 29 minutos após o disparo ouvido por testemunhas.
Contradições no depoimento: o suspeito disse estar no banho, mas foi encontrado seco.
Exames com luminol identificaram sangue em diferentes cômodos, incluindo o banheiro.
Após a perícia, houve limpeza do local por policiais, o que gerou nova investigação.
O exame necroscópico apontou marcas no pescoço, indicando possível agressão antes do disparo.
📱 Mensagens reforçam suspeita de violência psicológica
Além das provas técnicas, mensagens extraídas do celular do oficial indicam um histórico de conflitos e possíveis episódios de violência psicológica.
Nos diálogos, a vítima relata humilhações constantes e comportamento agressivo por parte do marido. Segundo a Corregedoria da PM, as conversas apontam uma relação marcada por controle e desvalorização.
⚖️ Prisão e investigação
A prisão preventiva foi decretada pela Justiça Militar com base na gravidade do caso e no risco de interferência nas investigações.
Inicialmente tratado como suicídio, o caso passou a ser investigado como homicídio após a análise dos laudos técnicos. A defesa do oficial contesta a decisão e afirma que a competência para julgar o caso seria da Justiça comum.
O caso segue em investigação e novos laudos ainda devem ser anexados para esclarecer completamente a dinâmica do crime.
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