

O Metrô de São Paulo passa pelo maior ciclo de obras simultâneas da história da companhia, com mais de 18 quilômetros de expansão em andamento e cerca de R$ 30 bilhões em investimentos do Governo de São Paulo. As intervenções incluem a ampliação das linhas 2-Verde e 15-Prata, além do desenvolvimento de projetos que devem ampliar a rede de transporte sobre trilhos na Região Metropolitana de São Paulo.
Em entrevista ao SP POD, podcast da Agência SP, o diretor de Engenharia e Planejamento do Metrô, Roberto Torres, detalhou o andamento das obras e os impactos esperados para a mobilidade urbana. Um dos destaques é a expansão da Linha 2-Verde em direção a Guarulhos, que marca a chegada de uma linha operada pelo Metrô para além dos limites da capital paulista.
“O Metrô é uma empresa de 1968 e nasceu com o propósito de levar a rede para toda a Região Metropolitana de São Paulo. Ao longo desses anos, a Linha 2-Verde é a primeira que vai conseguir, de fato, materializar esse sonho”, afirmou Torres.
A expansão ganhou um novo capítulo com o início da escavação da tuneladora Hebe Camargo, no trecho entre a Penha e Guarulhos. Pela primeira vez, duas tuneladoras trabalham simultaneamente nas obras da Linha 2-Verde. A segunda, batizada de Cora Coralina, atua no trecho entre a Penha e o Complexo Rapadura, na zona leste.
“É um marco extremamente importante para nós, porque hoje podemos dizer que começamos a escavação rumo à cidade de Guarulhos, dando continuidade àquele sonho que tivemos em 1968”, destacou o diretor.
Além de ampliar o alcance da rede, a extensão da Linha 2-Verde deverá contribuir para redistribuir o fluxo de passageiros, especialmente na Linha 3-Vermelha. Com a ampliação, usuários da zona leste poderão acessar a Linha 2-Verde diretamente pela estação Penha, reduzindo a necessidade de deslocamento até a região central para realizar integrações.
Outra frente de obras é a ampliação da Linha 15-Prata, que atende a zona leste da capital. O projeto contempla a construção das estações Boa Esperança e Jacu-Pêssego, além da estação Ipiranga e de um novo pátio de estacionamento de trens. São quase cinco quilômetros de expansão, com expectativa de atender uma demanda futura de 350 mil passageiros por dia.
Segundo Torres, as intervenções poderão reduzir em pelo menos uma hora o tempo de viagem de passageiros que saem da região de Jacu-Pêssego em direção à Avenida Paulista, onde estão concentrados hospitais, instituições de ensino e equipamentos culturais.
“A gente tem a expectativa de reduzir em pelo menos uma hora o tempo de viagem de alguém que queira sair da região de Jacu-Pêssego para a Avenida Paulista. É essa característica nossa de olhar a mobilidade urbana como algo para reduzir desigualdade”, explicou.
“A gente está sempre muito preocupado em reduzir esse tempo de viagem dos passageiros para proporcionar mais tempo com a família, mais tempo em casa, mais tempo para a educação e mais tempo para se cuidar”, acrescentou.
Durante a entrevista, o diretor também destacou a Linha 17-Ouro, inaugurada em março de 2026. Com oito estações e quase sete quilômetros de extensão, o monotrilho permite a conexão sobre trilhos com o Aeroporto de Congonhas. A companhia já trabalha no planejamento de outras quatro estações para ampliar o atendimento.
Além das obras em andamento, o Metrô desenvolve projetos que somam mais de 130 quilômetros de novas linhas. Entre eles está a Linha 19-Celeste, que deverá conectar o centro da capital a Guarulhos, com previsão de integração à Linha 2-Verde na futura estação Dutra. A expectativa apresentada pelo diretor é de que as duas linhas cheguem a Guarulhos até 2032.
Outros projetos incluem a Linha 20-Rosa, que deverá atender o ABC Paulista, e a Linha 22-Marrom, planejada para conectar regiões da capital a Osasco e Cotia. Já as linhas 21-Vinho e 23-Limão estão em fases de estudos e desenvolvimento.
De acordo com Torres, a definição das prioridades de expansão considera os resultados da Pesquisa Origem-Destino, que identifica os padrões de deslocamento da população. A próxima edição está prevista para 2027 e deverá contribuir para o planejamento da rede de transporte até 2050.
O diretor também ressaltou que a expansão do sistema sobre trilhos contribui para reduzir a circulação de veículos e as emissões de gases de efeito estufa, além de ampliar o acesso da população a serviços, empregos e oportunidades em diferentes regiões da metrópole.
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