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Pesquisa da Unesp em Guaratinguetá utiliza inteligência artificial para monitorar qualidade da água dos rios do Vale do Paraíba

Modelo desenvolvido durante pesquisa de mestrado utiliza dados históricos da Cetesb para estimar medições ausentes e apresentou erro inferior a 10% em testes; ferramenta poderá auxiliar estudos sobre a situação dos recursos hídricos.

24/10/2026 às 12h37
Por: Admin Fonte: Portal Vale do Paraíba
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Pesquisa da Unesp em Guaratinguetá utiliza inteligência artificial para monitorar qualidade da água dos rios do Vale do Paraíba

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual Paulista (Unesp), no campus de Guaratinguetá, utiliza inteligência artificial para aperfeiçoar o acompanhamento da qualidade da água de rios do Vale do Paraíba.

O projeto foi desenvolvido pelo engenheiro eletricista Wilson dos Santos Júnior durante o mestrado e utiliza modelos computacionais capazes de analisar informações históricas para estimar resultados que não puderam ser medidos em determinados períodos.

A tecnologia pode contribuir para reduzir lacunas em séries de monitoramento ambiental e auxiliar pesquisadores e órgãos responsáveis pela avaliação das condições dos rios.

Nos testes realizados, uma das estratégias de previsão apresentou erro inferior a 10%, resultado considerado promissor para a aplicação de ferramentas de inteligência artificial na análise de dados ambientais.

Pesquisa utilizou informações coletadas durante dez anos

Para desenvolver o sistema, o pesquisador utilizou registros da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), disponíveis na plataforma Infoáguas.

O conjunto analisado compreendeu informações coletadas entre 2013 e 2023.

Esses dados foram utilizados para treinar os modelos de inteligência artificial e identificar relações entre diferentes indicadores da qualidade da água.

A proposta é aproveitar medições anteriores para estimar valores ausentes em determinados momentos.

Esse procedimento é importante porque o monitoramento ambiental depende de séries históricas que permitam acompanhar alterações ao longo do tempo.

Quando existem períodos sem registro, a análise da evolução das condições dos rios pode ficar comprometida.

Pandemia revelou dificuldades no acompanhamento

Uma das motivações para a pesquisa surgiu durante a pandemia de Covid-19.

Naquele período, as restrições de circulação e as dificuldades enfrentadas pelas equipes de campo prejudicaram a realização de determinadas atividades presenciais de monitoramento.

Como consequência, algumas séries de dados ambientais apresentaram intervalos sem medições.

Essas lacunas dificultam avaliações que dependem de informações contínuas.

A utilização de inteligência artificial foi investigada como uma maneira de estimar os valores ausentes com base nos padrões identificados em registros anteriores.

Sistema analisa indicadores de qualidade da água

A avaliação das condições de rios envolve diferentes parâmetros físicos, químicos e microbiológicos.

Entre os indicadores considerados no estudo estão a temperatura da água, o pH e a presença de coliformes.

Essas informações contribuem para o cálculo do Índice de Qualidade da Água (IQA), utilizado para reunir diferentes características da água em uma classificação padronizada.

A análise permite acompanhar alterações relacionadas às condições ambientais dos rios.

O uso de inteligência artificial busca facilitar a estimativa de valores quando determinados indicadores não estão disponíveis.

Modelo apresentou erro inferior a 10%

Durante os experimentos, os pesquisadores avaliaram diferentes estratégias de previsão.

Uma delas consistiu em estimar diretamente o Índice de Qualidade da Água com base nas informações disponíveis.

Nesse formato, o modelo apresentou erro inferior a 10% nos testes realizados.

Outra abordagem buscou estimar primeiro o valor de um parâmetro ausente para, posteriormente, calcular o índice.

Essa segunda estratégia apresentou erro médio aproximadamente duas vezes menor.

Os resultados sugerem que a estimativa individual de determinados indicadores pode oferecer maior precisão em algumas condições.

Entretanto, os percentuais representam o desempenho experimental do modelo, não uma garantia de acerto em qualquer rio ou situação.

Tecnologia poderá auxiliar decisões ambientais

O acompanhamento da qualidade da água é importante para identificar alterações nas condições dos recursos hídricos.

Essas informações podem contribuir para estudos ambientais, planejamento de ações de fiscalização e definição de prioridades de monitoramento.

O modelo desenvolvido na Unesp poderá ajudar pesquisadores a analisar períodos com informações incompletas.

A ferramenta também pode ampliar as possibilidades de estudo sobre tendências observadas ao longo dos anos.

Isso não significa, entretanto, que a inteligência artificial consiga identificar automaticamente todas as formas de contaminação ou substituir a análise laboratorial.

As estimativas dependem da qualidade dos dados históricos e das características consideradas durante o desenvolvimento do sistema.

Próxima etapa poderá considerar chuvas e secas

O pesquisador também identifica a possibilidade de integrar novas informações à tecnologia.

Entre elas estão os dados relacionados às chuvas, que podem ajudar a compreender alterações nas condições dos rios durante períodos de precipitação intensa ou estiagem.

O volume de chuva pode influenciar características como turbidez e transporte de materiais para os cursos d'água.

A combinação de diferentes informações pode contribuir para análises mais completas.

Entretanto, essa aplicação representa uma possibilidade de desenvolvimento futuro e não um recurso cuja eficácia já tenha sido comprovada na pesquisa apresentada.

Orientação acadêmica destacou importância dos dados

A pesquisa teve orientação da professora Marcela Machado, do curso de Engenharia da Unesp de Guaratinguetá.

A docente explicou que a proposta utiliza dados já coletados pela Cetesb para desenvolver modelos matemáticos de apoio aos cálculos e previsões.

O trabalho não substitui as atividades de campo realizadas pelos órgãos responsáveis pelo monitoramento.

A coleta de amostras e a análise dos parâmetros continuam sendo necessárias para avaliar as condições reais da água.

A tecnologia funciona como uma ferramenta complementar para aperfeiçoar a utilização das informações disponíveis.

Monitoramento é importante para o Vale do Paraíba

Os rios da região possuem importância ambiental, econômica e social.

O Rio Paraíba do Sul, por exemplo, está relacionado ao abastecimento de cidades, a atividades econômicas e à manutenção de ecossistemas.

O acompanhamento da qualidade da água é necessário para identificar mudanças e apoiar iniciativas de proteção dos recursos hídricos.

Nesse contexto, pesquisas realizadas em instituições de ensino da própria região podem contribuir para desenvolver novas ferramentas de análise.

A utilização de inteligência artificial representa uma possibilidade de ampliar o aproveitamento de dados já existentes.

Pesquisa aproxima tecnologia e gestão dos recursos hídricos

O estudo desenvolvido na Unesp de Guaratinguetá mostra como a inteligência artificial pode ser aplicada a questões relacionadas à conservação e ao acompanhamento dos rios.

Ao analisar informações de 2013 a 2023, o modelo conseguiu estimar valores ausentes e apresentou resultados promissores nos testes.

A tecnologia ainda exige validação contínua e não elimina a necessidade de medições presenciais.

Mesmo assim, a pesquisa abre possibilidades para melhorar a interpretação das séries históricas e contribuir para o planejamento de ações relacionadas à qualidade da água no Vale do Paraíba.

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