

Mais de 33 mil atendimentos já foram realizados pelo programa São Paulo São Libras desde a sua criação, consolidando a iniciativa como uma das principais ferramentas de inclusão da população surda nos serviços públicos do estado. O acesso da população surda aos serviços públicos atingiu um novo patamar com a plataforma. Em entrevista ao SP POD, o podcast da Agência SP, o secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, resumiu o impacto da política pública: “É a possibilidade do surdo exercer sua cidadania”, disse.
LEIA TAMBÉM: Eleições: saiba como eleitores surdos podem acessar suporte em Libras no dia da votação em SP
A plataforma, que funciona 24 horas por dia por meio de videoconferência com intérpretes de Libras, tem ampliado o acesso a áreas essenciais como saúde, segurança e cidadania. Criado no início da atual gestão, o programa surgiu a partir de um diagnóstico: a comunicação ainda é uma das principais barreiras enfrentadas por pessoas surdas.
Segundo o secretário, muitos não dominam o português e têm a Libras como única língua, o que dificulta atendimentos básicos, como relatar um crime em uma delegacia ou explicar sintomas em uma consulta médica. “Isso faz com que ele se afaste da sociedade”, afirmou. A partir dessa constatação, o Estado buscou na tecnologia uma solução para ampliar o atendimento, já que a presença física de intérpretes ainda é limitada diante de uma população estimada em cerca de 600 mil surdos no estado.
O coordenador do programa São Paulo São Libras, Edilson de Andrade, destacou como o programa contribuiu para a comunidade surda eliminar as barreiras da comunicação. “A partir da visão deles dizendo o que realmente precisam, a gente pode de fato construir uma política tão efetiva e pensar no potencial que a gente tem daqui para frente, de atingir cada vez mais pessoas, de eliminar cada vez mais barreiras” ressaltou.
LEIA TAMBÉM: Governo de SP promove Curso Básico de Libras gratuito; inscrições serão abertas nesta quarta (7)
O São Paulo São Libras opera por meio de uma central de intérpretes acessada via videoconferência, disponível 24 horas por dia, sete dias por semana. Em poucos segundos, o usuário se conecta a um intérprete, que realiza a tradução simultânea entre Libras e português.
O acesso pode ser feito por aplicativos como o Poupatempo e o SOU.SP, além de estar integrado a diversos serviços presenciais. “Isso faz uma mudança na vida do surdo gigantesca”, destacou Marcos da Costa.
Um dos exemplos citados na entrevista ilustra o alcance da iniciativa: durante um atendimento do Corpo de Bombeiros, um socorrista utilizou a central para se comunicar com uma pessoa surda vítima de atropelamento. Com o auxílio do intérprete, foi possível entender o ocorrido e tranquilizar o paciente durante o resgate.
“Num momento tão dramático, ele pôde receber uma palavra de tranquilidade”, relatou o secretário.
Para Edilson de Andrade, o programa também reforça um conceito essencial: o direito à comunicação. “Se a comunicação é um direito fundamental, a comunicação em Libras também é um direito fundamental da pessoa surda”, afirmou.
A iniciativa, segundo ele, representa uma mudança estrutural na forma como o Estado se relaciona com a população surda, garantindo acesso, autonomia, dignidade e o exercício da cidadania. Nas eleições deste ano, uma parceria do Governo de São Paulo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP), permite o uso do programa São Paulo São Libras para auxiliar os mais de 32 mil eleitores surdos a obter informações sobre o processo eleitoral.
Apesar dos avanços tecnológicos, o secretário destaca que o principal desafio ainda é cultural. “A principal deficiência que nós temos em sociedade é a deficiência cultural”, afirmou, ao apontar o receio de muitas pessoas em lidar com a deficiência como uma barreira ainda presente.
Para enfrentar esse cenário, o governo também investe em formação e conscientização, incluindo cursos de Libras e disciplinas sobre inclusão em universidades públicas.
Entre os próximos avanços, está o desenvolvimento de soluções com inteligência artificial para ampliar ainda mais a autonomia da população surda. A proposta é permitir traduções automáticas entre Libras e português por meio de aplicativos, sem necessidade de intermediação humana em tempo real.
O projeto, em desenvolvimento com universidades e apoio da Fapesp, busca levar a comunicação inclusiva para situações do dia a dia, como transporte, comércio e serviços privados.
Mín. 18° Máx. 24°



