

O uso indiscriminado de esteroides anabolizantes para aumentar a massa muscular ou melhorar o desempenho físico pode provocar consequências graves para a saúde, principalmente para o sistema cardiovascular. Pesquisas vêm demonstrando que essas substâncias estão associadas ao aumento do risco de doenças cardíacas e de morte.
Os esteroides anabolizantes androgênicos são substâncias sintéticas semelhantes à testosterona. Embora existam indicações médicas específicas para determinados hormônios, o problema está especialmente no uso sem necessidade clínica e em doses elevadas para fins estéticos ou esportivos.
Estudos de longo prazo reforçam que os efeitos podem aparecer mesmo entre pessoas jovens e fisicamente ativas.
Uma pesquisa dinamarquesa acompanhou 1.189 homens usuários de esteroides anabolizantes identificados em exames antidoping e comparou seus registros de saúde com os de quase 60 mil homens da população geral.
Os resultados apontaram uma incidência significativamente maior de diferentes problemas cardiovasculares entre aqueles que utilizaram as substâncias.
Entre as complicações observadas estão infarto, tromboembolismo venoso, arritmias, insuficiência cardíaca e cardiomiopatia.
Um dos resultados que mais chamam atenção envolve justamente a cardiomiopatia, doença que compromete o músculo responsável pelo funcionamento do coração: entre usuários de anabolizantes, o risco identificado no estudo chegou a ser nove vezes maior.
Os riscos não se limitam ao aumento da possibilidade de um infarto. O uso prolongado dessas substâncias pode provocar alterações na própria estrutura e no funcionamento cardíaco.
Os anabolizantes podem favorecer o aumento da pressão arterial, alterações nos níveis de colesterol e o crescimento anormal do músculo cardíaco.
Também podem contribuir para um processo acelerado de aterosclerose, caracterizado pelo acúmulo de placas nas artérias, aumentando a possibilidade de eventos cardiovasculares graves.
Com o tempo, o coração pode apresentar dificuldades tanto para bombear quanto para relaxar adequadamente, favorecendo quadros de insuficiência cardíaca, arritmias e outras complicações.
A aparência física e a prática frequente de exercícios não significam necessariamente que o coração esteja saudável.
Especialistas alertam que alterações cardiovasculares podem se desenvolver silenciosamente, inclusive em pessoas jovens e aparentemente saudáveis.
O uso de anabolizantes também pode agravar determinadas condições cardíacas e está associado a fatores que aumentam os riscos de arritmias graves, insuficiência cardíaca e morte súbita.
Por isso, a utilização de hormônios sem indicação e acompanhamento médico não deve ser considerada uma estratégia segura para acelerar resultados estéticos ou esportivos.
No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu, em 2023, a prescrição médica de esteroides androgênicos e anabolizantes com finalidade estética, de ganho de massa muscular ou melhora do desempenho esportivo diante da falta de comprovação científica suficiente sobre segurança e benefícios nessas situações.
A decisão não significa que hormônios não possam ser utilizados em tratamentos médicos. Existem situações clínicas específicas em que determinadas terapias hormonais são indicadas e acompanhadas por profissionais.
A preocupação está no uso indiscriminado, especialmente em doses elevadas ou combinações de substâncias adotadas com o objetivo de acelerar o ganho de massa muscular.
Os dados reforçam que os possíveis resultados estéticos podem vir acompanhados de consequências importantes e, em alguns casos, irreversíveis para a saúde.
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