
A China deu mais um passo na regulamentação da inteligência artificial ao proibir serviços que oferecem "namorados" e "namoradas" virtuais desenvolvidos por IA. A nova regra entrou em vigor nesta semana e determina que plataformas deixem de disponibilizar recursos capazes de estimular relações afetivas artificiais que possam gerar dependência emocional ou prejudicar a convivência social dos usuários.
A medida faz parte de um conjunto de normas voltadas ao controle dos chamados sistemas de IA antropomórfica, aqueles desenvolvidos para simular comportamentos humanos, personalidade, emoções e relacionamentos.
Segundo a regulamentação, os sistemas não poderão incentivar apego emocional excessivo, manipular usuários emocionalmente nem substituir relações humanas reais. Além disso, as empresas deverão criar mecanismos capazes de identificar sinais de sofrimento psicológico, dependência ou uso compulsivo da tecnologia, adotando medidas preventivas sempre que necessário.
A decisão afetou algumas das maiores empresas de tecnologia da China. Plataformas desenvolvidas por gigantes como ByteDance, Alibaba e Tencent removeram ou desativaram recursos de companhia virtual antes mesmo da entrada oficial das novas regras em vigor.
O mercado de companheiros virtuais vinha registrando forte crescimento no país, impulsionado por avanços em inteligência artificial generativa capazes de manter conversas naturais, lembrar preferências dos usuários e simular demonstrações de carinho, amizade e relacionamento amoroso.
Especialistas alertam que, embora essas ferramentas possam oferecer conforto emocional para algumas pessoas, o uso excessivo pode favorecer isolamento social, dependência psicológica e substituição das relações humanas.
Com a nova regulamentação, a China torna-se um dos primeiros países do mundo a estabelecer regras específicas para limitar a chamada IA afetiva, tema que vem ganhando espaço nos debates internacionais sobre ética, saúde mental e responsabilidade das empresas de tecnologia.
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