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'Necromancia digital': uso da inteligência artificial para recriar pessoas mortas gera debate sobre ética e privacidade

Tecnologia capaz de reproduzir voz, imagem e personalidade de pessoas falecidas avança rapidamente e levanta discussões sobre luto, consentimento e direitos digitais

14/07/2026 às 10h10
Por: Admin Fonte: Portal Vale do Paraiba
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'Necromancia digital': uso da inteligência artificial para recriar pessoas mortas gera debate sobre ética e privacidade

O avanço da inteligência artificial tem permitido criar vídeos, imagens e até conversas simuladas com pessoas que já morreram. Conhecido como "necromancia digital", esse fenômeno vem despertando debates sobre ética, privacidade e os limites da tecnologia na preservação da memória de pessoas falecidas.

Nos últimos meses, conteúdos produzidos por IA mostrando artistas, atletas e outras personalidades "retornando à vida" se multiplicaram nas redes sociais. Após a morte do ator Sam Neill, por exemplo, imagens geradas por inteligência artificial simulando sua chegada ao céu viralizaram na internet e reacenderam a discussão sobre esse tipo de utilização da tecnologia.

A chamada necromancia digital consiste na utilização de fotos, vídeos, áudios, mensagens e outros registros deixados por uma pessoa para criar avatares capazes de reproduzir sua aparência, voz e até seu estilo de comunicação.

Especialistas afirmam que essas ferramentas podem ajudar algumas famílias durante o processo de luto, permitindo preservar lembranças e registrar histórias. Por outro lado, também alertam para riscos relacionados ao uso comercial dessas imagens, à manipulação da memória de pessoas falecidas e à ausência de consentimento para esse tipo de reprodução.

O tema ganhou força com a popularização das plataformas de inteligência artificial generativa, que passaram a permitir esse tipo de criação sem necessidade de conhecimentos técnicos avançados.

Pesquisadores defendem a criação de regras específicas para proteger os chamados "restos digitais" — conjunto de fotos, vídeos, mensagens e outros dados deixados por uma pessoa após sua morte. Entre as propostas discutidas estão a exigência de autorização prévia em vida e limites para o uso comercial dessas reproduções.

Enquanto a tecnologia evolui rapidamente, especialistas avaliam que a legislação ainda caminha em ritmo mais lento, tornando o debate sobre direitos digitais e proteção da memória cada vez mais urgente.

 
 
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