
A Justiça de Caraguatatuba condenou um homem acusado de utilizar um relacionamento amoroso para aplicar um golpe de aproximadamente R$ 104 mil contra a própria ex-namorada. O caso, que ganhou grande repercussão na região, ficou conhecido como um exemplo de “estelionato amoroso”, modalidade criminosa em que o autor utiliza a confiança construída dentro de uma relação afetiva para obter vantagens financeiras da vítima. Segundo a decisão judicial, o condenado convenceu a vítima a realizar dezenas de transferências bancárias durante o período em que mantinham o relacionamento. De acordo com as investigações, ele se apresentava como investidor do mercado financeiro e alegava atuar com aplicações em criptomoedas e outros investimentos, prometendo retornos financeiros que nunca se concretizaram. As apurações apontaram que a mulher realizou 51 transferências ao longo de aproximadamente dez meses de relacionamento, totalizando prejuízo superior a R$ 104 mil. O dinheiro era repassado ao acusado sob a promessa de investimentos e ganhos futuros, mas os valores acabaram sendo utilizados para finalidades pessoais. Ao analisar o caso, a Justiça concluiu que houve prática reiterada de estelionato, reconhecendo que o vínculo afetivo foi utilizado como instrumento para induzir a vítima ao erro e obter vantagens econômicas ilícitas. O réu foi condenado a dois anos e seis meses de prisão, além de outras determinações previstas na sentença. O Ministério Público de São Paulo informou que recorreu da decisão por entender que a pena aplicada não é proporcional à gravidade dos fatos. O órgão busca o aumento da condenação e a ampliação das sanções impostas ao acusado.
Casos de golpes praticados em relacionamentos têm chamado a atenção das autoridades em todo o país. Especialistas alertam que criminosos costumam explorar a confiança, a proximidade emocional e a expectativa de construção de um futuro em comum para convencer as vítimas a realizar empréstimos, transferências bancárias e investimentos fraudulentos.
A decisão judicial representa mais um desdobramento das investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, que continuam acompanhando possíveis desdobramentos do caso.
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