
Por trás de cada bebê internado na UTI Neonatal do Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence existe uma estrutura silenciosa, técnica e essencial para salvar vidas: o Banco de Leite Humano. O serviço, referência em São José dos Campos, vai muito além da coleta e distribuição de leite materno, envolvendo processos rigorosos de segurança, análise nutricional e cuidado individualizado com recém-nascidos prematuros e de baixo peso. A importância desse trabalho ganha ainda mais destaque neste mês, já que o dia 19 de maio marca o Dia Nacional e Mundial de Doação de Leite Humano, data criada para conscientizar a população sobre a relevância do aleitamento materno e incentivar a doação de leite para bebês internados em unidades neonatais. Atualmente, cerca de 60 doadoras fixas contribuem regularmente com o Banco de Leite do HM. O leite é retirado pelas próprias mães em casa, armazenado em frascos de vidro e mantido congelado até ser recolhido por uma equipe especializada do hospital. Todo o processo é monitorado por meio de prontuários individuais, garantindo segurança e rastreabilidade desde a origem. Somente no Hospital Municipal, aproximadamente 30 recém-nascidos são atendidos mensalmente, totalizando cerca de 2.400 dietas por mês para os bebês internados na UTI Neonatal. Após chegar ao hospital, o leite passa por uma rigorosa avaliação sensorial, na qual profissionais analisam cor, odor e aparência para identificar possíveis alterações. Em seguida, o material é armazenado sob controle rígido de temperatura e segue para uma das etapas mais importantes: a pasteurização. Durante o processo, também é realizado o teste de acidez, responsável por identificar possíveis sinais de contaminação bacteriana. Segundo o HM, a taxa de perda por acidez é baixa, em torno de 2%, reflexo do controle técnico adotado em todas as etapas. Outro diferencial do Banco de Leite é o exame de crematócrito, técnica utilizada para analisar o valor energético e a quantidade de gordura presente em cada amostra de leite. A partir desse resultado, é possível direcionar o leite mais adequado para cada bebê da UTI Neonatal. Bebês extremamente prematuros e mais frágeis recebem leite com menor teor de gordura, enquanto recém-nascidos em melhor condição clínica podem receber leite mais calórico, favorecendo o ganho de peso e a recuperação. Segundo a enfermeira responsável pelo Banco de Leite, Helen Faria, o processo permite um cuidado individualizado. “O crematócrito permite que a gente vá além do simples ato de alimentar. Nós conseguimos direcionar o leite de acordo com a necessidade de cada bebê”, destacou. Após as análises laboratoriais e a confirmação de ausência de contaminações, o leite é porcionado e encaminhado à UTI Neonatal pelo Lactário do hospital, onde será administrado conforme a necessidade de cada recém-nascido. Todo o processo é conduzido por uma equipe formada pela enfermeira Helen Faria e quatro técnicas de enfermagem especializadas, responsáveis por transformar um gesto de solidariedade em oportunidade de vida para dezenas de bebês todos os meses. Quem deseja se tornar doadora pode entrar em contato diretamente com o Banco de Leite do Hospital Municipal pelo telefone (12) 3901-3507.
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