
Uma missa em ação de graças celebrou, na manhã desta segunda-feira (13), os 80 anos de Dom Orlando Brandes, no Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo. A celebração reuniu fiéis, religiosos e autoridades da Igreja Católica, marcando não apenas o aniversário do arcebispo, mas também o início de sua despedida da Arquidiocese de Aparecida.
Atual administrador apostólico da arquidiocese, Dom Orlando deixará oficialmente o cargo no início de maio, quando o novo arcebispo, Dom Mário Antônio da Silva, assumirá a função. A transição marca o encerramento de um ciclo iniciado em janeiro de 2017, quando ele foi nomeado para liderar uma das mais importantes dioceses do país.
Durante a homilia, Dom Orlando fez um discurso emocionado, repleto de agradecimentos e reflexões sobre sua trajetória religiosa. Em tom de despedida, destacou o papel dos fiéis ao longo de sua caminhada.
“Vocês são meus bons anjos, bons samaritanos e samaritanas da minha vida. Muitos de vocês foram meus enfermeiros e enfermeiras, ajudando a cuidar das minhas feridas. Foram também conselheiros e amigos”, declarou.
Ao relembrar momentos da juventude, o religioso revelou que esteve próximo de abandonar o seminário, mas encontrou na fé o caminho para seguir sua missão.
“Fui ameaçado de ir embora do seminário. Foi ali que comecei a rezar e até hoje a oração me salvou”, afirmou.
A importância da espiritualidade também foi destacada como pilar da vocação religiosa. Segundo ele, a oração é essencial para sustentar a missão dos sacerdotes.
“A oração salvará o vosso sacerdócio e a vossa missão”, disse, dirigindo-se aos padres presentes.
Em outro momento, Dom Orlando refletiu sobre o sentido da vida, reforçando o papel transformador da fé. “A vida é um mistério, mas principalmente uma missão. Nascemos para melhorar este mundo”, declarou.
Ao falar sobre sua trajetória dentro da Igreja, o arcebispo relativizou os títulos e cargos ocupados ao longo dos anos. “Não pense que ser arcebispo de Aparecida é a maior glória. A maior graça é ser filho de Deus”, afirmou.
Ele também resumiu sua história de forma direta e simbólica: “Sem a Igreja eu seria um ‘zé ninguém’”.
Durante a celebração, Dom Orlando citou ainda a passagem bíblica sobre os tempos da vida, destacando o momento atual como de gratidão e reconhecimento.
“Há um tempo para nascer, tempo para morrer, tempo para chorar e tempo para rir. Celebrar esses 80 anos é a festa da graça, da Divina Providência e da misericórdia”, disse.
Dom Orlando completou 80 anos nesta segunda-feira, idade em que, conforme as normas da Igreja Católica, os bispos devem apresentar a renúncia ao cargo. Desde o dia 2 de março, ele deixou de ser o arcebispo titular e passou a atuar como administrador apostólico, função temporária durante o período de transição.
A despedida oficial está prevista para o dia 29 de abril, com uma missa especial no Santuário Nacional de Aparecida. Já a posse do novo arcebispo, Dom Mário Antônio da Silva, está marcada para o dia 2 de maio.
A cerimônia desta segunda-feira não apenas celebrou uma vida dedicada à fé, mas também simbolizou o encerramento de um ciclo importante na história da Igreja Católica em Aparecida — deixando como legado a valorização da espiritualidade, da missão e do compromisso com os fiéis.
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