

A Polícia Federal detalhou como conseguiu identificar o conteúdo associado a mensagens de visualização única enviadas por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, em comunicações que a investigação atribui ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O material integra relatório cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça.
Segundo a PF, Vorcaro utilizava um método específico: escrevia textos no aplicativo de notas do iPhone, fazia capturas de tela e enviava as imagens pelo WhatsApp no modo de visualização única. Embora a mídia desaparecesse da conversa depois de aberta, outras informações permaneceram armazenadas no aparelho.
Os investigadores cruzaram horários de criação das capturas, arquivos temporários, registros de utilização dos aplicativos e dados sobre o envio pelo WhatsApp. De acordo com o relatório, a repetição desse procedimento permitiu estabelecer uma correlação entre os arquivos produzidos e determinados interlocutores. Mais de 40 arquivos teriam apresentado padrão semelhante.
O caso, entretanto, é objeto de controvérsia. O gabinete de Moraes já havia afirmado, em março, que uma análise técnica indicava que determinadas mensagens de visualização única encontradas nos arquivos de Vorcaro não correspondiam aos contatos telefônicos do ministro.
Os novos elementos ainda passarão por análise institucional. A divulgação do material não representa, por si só, conclusão sobre eventual prática de crime ou interferência nas investigações. Mendonça indicou que as informações deverão ser examinadas pelo plenário do STF.
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