Tecnologia Tecnologia
Pesquisas financiadas pelos militares dos EUA ajudaram a impulsionar cães-robôs fabricados pela China
Tecnologias desenvolvidas em programas acadêmicos apoiados pelo Exército americano serviram de base para avanços utilizados pela chinesa Unitree Robotics
24/08/2026 14h52
Por: Admin Fonte: Portal Vale do Paraíba

Pesquisas financiadas pelas Forças Armadas dos Estados Unidos acabaram contribuindo para o desenvolvimento de tecnologias utilizadas nos cães-robôs fabricados em grande escala pela China. A relação foi revelada em reportagem da Reuters, que ouviu pesquisadores envolvidos nos projetos e um ex-integrante da área de tecnologia de defesa norte-americana.

Uma das empresas no centro da história é a chinesa Unitree Robotics, fabricante de robôs humanoides e quadrúpedes. Segundo os pesquisadores, modelos de sucesso da companhia utilizaram princípios relacionados à locomoção quadrúpede desenvolvidos em pesquisas financiadas pelo Laboratório de Pesquisa do Exército dos EUA e por outros programas militares americanos.

Um dos exemplos é o Go2, lançado em 2023 por cerca de US$ 1.600. O equipamento ajudou a Unitree a ganhar espaço no mercado mundial de robôs quadrúpedes. Outro robô da fabricante já apareceu em imagens da televisão estatal chinesa carregando uma arma e acompanhando militares durante um exercício.

O pesquisador Ben Katz afirmou que as dimensões da série Go eram extremamente próximas às do Mini Cheetah, robô que ele ajudou a desenvolver no Laboratório de Robótica Biomimética do MIT, dentro de um consórcio de universidades apoiado por programas militares norte-americanos.

Isso não significa, entretanto, que a empresa chinesa tenha obtido ilegalmente os conhecimentos. Os resultados das pesquisas foram publicados abertamente justamente para estimular o desenvolvimento científico e tecnológico.

O episódio chama atenção para uma disputa maior entre Estados Unidos e China. Enquanto os americanos tiveram papel relevante no financiamento das pesquisas iniciais, fabricantes chineses conseguiram transformar parte desses avanços em produtos produzidos em grande escala e com custos competitivos.

 

A situação demonstra como conhecimento científico aberto pode atravessar fronteiras e posteriormente assumir importância comercial e até estratégica em um cenário de crescente competição tecnológica entre as duas maiores economias do mundo.