Animes e mangás, tão presentes no cotidiano de muitos adolescentes, também podem ganhar espaço em conversas relacionadas à saúde mental. Uma cientista passou a utilizar essas produções como recurso para ajudar jovens a se abrir durante processos terapêuticos.
A estratégia parte de um elemento simples: personagens e histórias podem funcionar como uma ponte para assuntos que nem sempre são fáceis de abordar diretamente. Ao comentar o comportamento de determinado personagem ou uma situação apresentada na narrativa, o jovem pode encontrar uma maneira mais confortável de falar sobre sentimentos e experiências próprias.
Pesquisas realizadas no Brasil já apontaram potencial semelhante. Estudos envolvendo adolescentes identificaram que a identificação com personagens de animes pode favorecer a expressão e a elaboração de emoções, além de estimular reflexões sobre situações vividas no cotidiano.
O recurso, entretanto, não significa substituir métodos tradicionais de acompanhamento psicológico. A utilização dessas obras depende da avaliação e da condução do profissional, que pode escolher conteúdos de acordo com a realidade e as necessidades de cada paciente.
A proposta mostra como referências da cultura pop podem ser incorporadas ao diálogo com adolescentes. Em vez de tratar o interesse por animes e mangás apenas como entretenimento, profissionais podem utilizá-lo como uma linguagem familiar para facilitar conversas sobre emoções e relacionamentos.