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Relacionamento com IA pode ser considerado traição? Pesquisa revela novos limites da intimidade
Levantamento realizado pela Gleeden mostra que 51,2% dos entrevistados não consideram experiências eróticas com inteligência artificial uma forma de infidelidade, enquanto 48,5% já se sentem confortáveis para compartilhar emoções com sistemas de IA.
13/08/2026 15h20
Por: Admin Fonte: Portal Vale do Paraíba

A Inteligência Artificial (IA) está ocupando um espaço cada vez mais íntimo na vida das pessoas. Além de ser utilizada para trabalho, estudos e entretenimento, a tecnologia já aparece em conversas sobre sentimentos, desejos, fantasias e relacionamentos. Esse novo comportamento levanta uma questão que ainda não possui uma resposta única: interagir de forma íntima com uma IA pode ser considerado traição?

Um levantamento realizado pela Gleeden, durante a 12ª edição da Intimi Expo, ouviu 1.271 pessoas no Brasil, sendo 78% mulheres, e investigou justamente a relação entre inteligência artificial, erotismo e novas formas de intimidade.

De acordo com a pesquisa, 51,2% dos participantes não consideram o uso da IA para fins eróticos uma forma de traição. Outros 29% classificam a situação como uma espécie de “zona cinzenta”, enquanto 19,8% entendem esse comportamento como infidelidade.

Os números mostram que os limites tradicionais dos relacionamentos estão sendo questionados à medida que novas tecnologias passam a fazer parte da vida afetiva. O que para uma pessoa pode ser apenas uma interação virtual, para outra pode representar uma quebra de confiança dentro do relacionamento.

A proximidade emocional com a tecnologia também chama atenção. Segundo o estudo, 48,5% dos entrevistados já se sentem confortáveis para se abrir emocionalmente com sistemas de IA. Desse total, 18,6% afirmam fazer isso diretamente e 29,9% ocasionalmente.

Entre os fatores que podem explicar esse comportamento estão a sensação de segurança, o anonimato e a ausência de julgamentos. Para a sexóloga e terapeuta sexual Thaís Plaza, esses elementos ajudam a explicar por que algumas pessoas encontram na IA um espaço para falar sobre assuntos que talvez tenham dificuldade de compartilhar com outras pessoas.

Apesar da crescente aproximação, a maioria dos participantes ainda considera que a tecnologia não consegue substituir completamente os sentimentos humanos. 44,6% acreditam que a IA jamais substituirá as emoções humanas, enquanto 27,8% consideram que isso poderia acontecer parcialmente.

Quando o assunto é erotismo, a utilização ainda não é maioria. 68,8% afirmam nunca ter utilizado inteligência artificial para essa finalidade. Entretanto, o interesse futuro é significativo: 53,8% dizem que poderiam utilizar esse tipo de recurso, sendo 23,2% que afirmam que fariam isso com certeza e 30,6% que consideram a possibilidade.

A privacidade aparece como o principal atrativo. Entre os entrevistados interessados na experiência, 32,4% apontam a privacidade total como o maior motivo, seguida pela ausência de julgamentos, com 19,7%, personalização das experiências, com 18,7%, variedade de possibilidades, com 16,9%, e disponibilidade permanente, com 12,3%.

A pesquisa também questionou se as pessoas contariam ao parceiro sobre uma eventual experiência íntima com IA. 49,7% disseram que contariam, enquanto 33,9% afirmaram que dependeria da situação. Outros 16,4% prefeririam manter a informação em segredo.

Os resultados indicam que a discussão sobre inteligência artificial e relacionamentos está apenas começando. A tecnologia não necessariamente substitui os vínculos humanos, mas cria novas situações que podem exigir acordos diferentes dentro de cada relacionamento.

Nesse cenário, a definição de traição deixa de depender apenas do contato físico e passa a envolver também questões como intenção, segredo, intimidade emocional e acordos estabelecidos entre os parceiros.

A pesquisa da Gleeden mostra, portanto, que não existe uma percepção única sobre o tema. Para algumas pessoas, uma interação íntima com uma inteligência artificial pode ser apenas uma experiência tecnológica. Para outras, dependendo dos limites estabelecidos no relacionamento, ela pode representar uma forma de infidelidade.