A confiança do consumidor na cidade de São Paulo apresentou leve recuo em julho, mas segue em nível considerado otimista, sustentada principalmente pelo bom desempenho do mercado de trabalho. É o que aponta o levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), que registrou queda de 2% no Índice de Confiança do Consumidor (ICC), que passou para 121,6 pontos. Na comparação com julho de 2025, porém, o indicador avançou 11,6%.
Segundo a entidade, o emprego, o crescimento da renda e a expansão da massa salarial continuam preservando a capacidade de pagamento das famílias. No entanto, os juros elevados, a inflação concentrada em itens essenciais e o alto comprometimento da renda têm levado os consumidores a adotarem uma postura mais criteriosa antes de realizar novas compras.
Embora o índice permaneça acima dos 100 pontos — patamar que indica otimismo —, a pesquisa mostra que esse sentimento já não se traduz no mesmo ritmo de consumo observado nos últimos meses.
O levantamento aponta que as famílias continuam priorizando gastos essenciais, pesquisando preços e adiando compras que exigem maior comprometimento financeiro, especialmente aquelas realizadas por meio de financiamento.
Outro indicador analisado pela FecomercioSP, o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), também apresentou retração em julho.
O índice caiu 0,4%, atingindo 112,3 pontos, registrando a quarta queda consecutiva. Apesar da redução mensal, o indicador permanece acima da linha de satisfação e acumula crescimento de 6,3% em relação ao mesmo período do ano passado.
A pesquisa destaca que o elevado nível de endividamento continua sendo um dos principais fatores que limitam o consumo.
Em junho, 74,1% das famílias da capital paulista estavam endividadas, o maior percentual registrado nos últimos quatro anos. Somado à taxa Selic em patamar elevado, o cenário torna financiamentos mais caros e dificulta principalmente a compra de bens de maior valor, como veículos, móveis e eletrodomésticos.
Na avaliação da FecomercioSP, o mercado de trabalho continua sendo o principal responsável por manter a confiança dos consumidores.
Mesmo diante do cenário de crédito restrito e inflação, a geração de empregos e o aumento da renda impedem uma deterioração mais intensa das expectativas econômicas. Ainda assim, a entidade avalia que o comportamento do consumidor deve continuar marcado por maior planejamento financeiro, comparação de preços e seletividade nas compras enquanto persistirem as atuais condições econômicas.