A investigação sobre a morte da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, ganhou novos desdobramentos nesta semana. A Polícia Civil cumpriu um novo mandado de busca e apreensão relacionado ao caso e recolheu um telefone celular e um gravador digital de vídeo (DVR), equipamentos que serão submetidos à perícia técnica para auxiliar na elucidação do crime.
Além das novas apreensões, a principal suspeita do homicídio, uma empresária de 46 anos que está presa temporariamente, prestou um novo depoimento aos investigadores. A Polícia Civil também segue ouvindo testemunhas e realizando outras diligências para esclarecer todas as circunstâncias da morte da cozinheira.
Os materiais apreendidos passarão por perícia especializada para verificar se contêm registros, imagens ou informações que possam contribuir para a investigação.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a operação foi realizada por equipes da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Sebastião, com apoio da Polícia Científica. O objetivo é reunir novos elementos que ajudem a esclarecer a dinâmica do crime e identificar todos os envolvidos.
As investigações tiveram início após o desaparecimento de Berenice, registrado no fim de junho, em Ubatuba. A cozinheira foi vista pela última vez depois de deixar o restaurante onde trabalhava.
Durante as apurações, imagens de câmeras de monitoramento, registros de radares e dados de geolocalização passaram a indicar inconsistências na versão apresentada pela principal investigada. Segundo a Polícia Civil, o trajeto realizado pela caminhonete utilizada por ela seria diferente do informado inicialmente em depoimento, levando os investigadores até uma área de mata em Angra dos Reis (RJ), onde o corpo da vítima foi localizado posteriormente.
Outro ponto considerado importante pela investigação são os vestígios encontrados na caminhonete da suspeita.
Perícias realizadas no veículo identificaram marcas compatíveis com perfurações provocadas por disparos de arma de fogo, além da presença de vestígios de sangue no banco do passageiro. Os exames laboratoriais ainda estão em andamento e deverão confirmar a origem do material biológico e ajudar a reconstruir a dinâmica dos fatos.
De acordo com a Polícia Civil, as evidências reunidas até o momento indicam que o crime pode não ter sido cometido por apenas uma pessoa.
Os investigadores trabalham com a hipótese de participação de outros envolvidos, possibilidade que continua sendo apurada por meio das novas perícias, depoimentos e análises dos equipamentos eletrônicos apreendidos.
Uma das principais linhas de investigação considera que o crime possa ter sido motivado por um conflito envolvendo questões trabalhistas.
Segundo familiares da vítima, Berenice pretendia retornar para sua cidade de origem após receber os valores referentes à rescisão do contrato de trabalho e teria discutido diversas vezes com a empregadora nos dias que antecederam seu desaparecimento. Essa hipótese continua sendo investigada pela Polícia Civil, que ainda aguarda a conclusão dos laudos periciais antes de definir os próximos passos do inquérito.