O envelhecimento da população brasileira reforça a importância dos cuidados com a saúde muscular. Segundo especialistas, uma alimentação equilibrada, associada à prática regular de atividades físicas, pode contribuir significativamente para preservar a força, a mobilidade e a independência das pessoas com mais de 60 anos.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o Brasil possui cerca de 36 milhões de idosos, grupo que representa aproximadamente 17% da população e cresce, em média, 1,1 milhão de pessoas por ano. Com o aumento da expectativa de vida, cresce também a necessidade de investir em estratégias que promovam um envelhecimento ativo e saudável.
Com o avanço da idade, a perda gradual de massa e força muscular é considerada um processo natural do organismo. No entanto, quando não há uma alimentação adequada e estímulos por meio da atividade física, essa redução pode evoluir para a sarcopenia, condição caracterizada pela diminuição da massa muscular e da força, comprometendo a mobilidade e aumentando o risco de quedas, fraturas e perda da independência.
De acordo com Patrícia Ruffo, nutricionista e gerente científica da Divisão Nutricional da Abbott no Brasil, preservar a funcionalidade é fundamental para garantir qualidade de vida durante o envelhecimento.
"Manter a funcionalidade à medida que a expectativa de vida cresce significa preservar autonomia, independência e qualidade de vida. E isso está diretamente relacionado aos hábitos alimentares e aos cuidados com a saúde muscular", destaca a especialista.
Entre os nutrientes considerados essenciais para a manutenção da musculatura estão as proteínas, responsáveis pela formação e recuperação dos músculos, além da vitamina D, que auxilia na absorção do cálcio e contribui para a saúde óssea.
Outro componente estudado é o HMB (β-hidroxi-β-metilbutirato), substância derivada do metabolismo da leucina, um aminoácido presente nas proteínas. Segundo pesquisas citadas pela Abbott, o HMB pode atuar na preservação da massa muscular, especialmente em idosos ou pessoas submetidas a longos períodos de repouso.
O composto ajuda a reduzir a degradação muscular e favorece a síntese de proteínas, sendo frequentemente utilizado em suplementos nutricionais destinados ao público idoso.
Embora o HMB esteja presente em alimentos como abacate, aspargos, frutas cítricas e couve-flor, especialistas explicam que a quantidade disponível nesses alimentos é relativamente pequena.
Estudos apontam que uma ingestão de aproximadamente 3 gramas por dia pode trazer benefícios à saúde muscular, volume difícil de ser alcançado apenas por meio da alimentação. Nesses casos, suplementos específicos podem ser indicados, sempre com orientação médica ou de um nutricionista.
Os especialistas ressaltam que os melhores resultados costumam ocorrer quando a suplementação é associada a uma alimentação rica em proteínas, ingestão calórica adequada e prática regular de exercícios de fortalecimento muscular.
Além da nutrição, a atividade física continua sendo um dos principais fatores para retardar a perda muscular relacionada ao envelhecimento.
Exercícios de resistência, como musculação, treinamento funcional e atividades orientadas por profissionais de saúde, contribuem para preservar a força, melhorar o equilíbrio e reduzir o risco de quedas, favorecendo uma vida mais ativa e independente.
Segundo estimativas, a partir dos 40 anos a perda de massa muscular pode chegar a cerca de 8% por década, aumentando para aproximadamente 15% após os 70 anos, o que reforça a importância da prevenção desde a meia-idade.
As projeções demográficas indicam que, até 2060, aproximadamente um terço da população brasileira terá mais de 60 anos. Diante desse cenário, especialistas destacam que investir em prevenção, alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento profissional será cada vez mais importante para garantir qualidade de vida e reduzir os impactos do envelhecimento.
Embora suplementos nutricionais possam ser uma alternativa em situações específicas, a recomendação é que qualquer mudança na alimentação ou uso desses produtos seja realizada com orientação de médicos ou nutricionistas, considerando as necessidades individuais de cada paciente.