O avanço das neurotecnologias e o uso crescente de medicamentos e dispositivos voltados ao aprimoramento cognitivo estão no centro do debate apresentado no livro "Neuroética, Justiça e Autonomia: A razão pública no debate sobre o aprimoramento cognitivo", do neurocientista e filósofo sérvio Veljko Dubljević.
Publicada no Brasil pela PUCPRESS, a obra propõe uma reflexão sobre os limites éticos da utilização de tecnologias capazes de ampliar memória, concentração e desempenho intelectual.
Segundo o autor, o crescimento do uso das chamadas "drogas inteligentes" levanta questionamentos importantes sobre justiça social, autonomia individual e igualdade de oportunidades.
O pesquisador argumenta que a ausência de regulamentação adequada pode favorecer situações de pressão indireta em ambientes acadêmicos e profissionais, levando pessoas a recorrerem a essas tecnologias para manter a competitividade.
Ao longo da obra, Dubljević analisa não apenas os efeitos biológicos dessas tecnologias, mas também suas consequências sociais.
Entre os principais temas discutidos estão o acesso desigual às inovações, o risco de aprofundamento das desigualdades e os impactos provocados pela crescente pressão por produtividade.
O autor também chama atenção para a necessidade de construção de políticas públicas capazes de acompanhar o desenvolvimento das neurotecnologias, garantindo que seu avanço ocorra em equilíbrio com princípios como justiça, autonomia e direitos individuais.
Professor da North Carolina State University, Veljko Dubljević é reconhecido internacionalmente por suas pesquisas em neuroética, filosofia da ciência e inteligência artificial, atuando como consultor em discussões relacionadas à regulamentação e ao uso responsável dessas tecnologias.