Saúde Saude
Consenso internacional orienta quando reduzir ou interromper o uso de Ozempic e Mounjaro no tratamento da obesidade
Especialistas reforçam que medicamentos devem fazer parte de um plano contínuo de tratamento e alertam para riscos da interrupção sem acompanhamento médico
20/07/2026 10h23
Por: Admin Fonte: Portal Vale do Paraiba

O crescente uso de medicamentos como Ozempic (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida) no tratamento da obesidade levou especialistas de diversos países a elaborar o primeiro consenso internacional sobre a condução desses tratamentos. O documento reúne orientações sobre quando reduzir a dose, manter o tratamento ou interromper o uso dos medicamentos, sempre considerando as características individuais de cada paciente.

Os especialistas ressaltam que a obesidade é atualmente reconhecida como uma doença crônica, e não apenas uma consequência de hábitos alimentares inadequados. Por isso, o tratamento deve ser encarado de forma semelhante ao controle da hipertensão arterial ou do diabetes, exigindo acompanhamento médico contínuo e mudanças permanentes no estilo de vida.

Segundo o consenso, não existe um momento único ou obrigatório para interromper a medicação. A decisão depende da evolução clínica do paciente, da manutenção da perda de peso, da presença de efeitos adversos, de outras doenças associadas e da capacidade de manter hábitos saudáveis sem o auxílio do medicamento.

A redução gradual da dose pode ser considerada quando o paciente apresenta estabilidade clínica, alcança seus objetivos terapêuticos e demonstra capacidade de manter alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento multiprofissional.

Por outro lado, interromper o tratamento de forma abrupta e sem orientação médica pode favorecer o retorno do peso perdido. Estudos recentes mostram que boa parte dos pacientes recupera uma parcela significativa do peso após a suspensão dos medicamentos, principalmente quando não mantém mudanças consistentes no estilo de vida.

Outro aspecto destacado pelos especialistas é que o tratamento da obesidade vai muito além da balança. A perda de peso contribui para reduzir o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, apneia do sono, problemas articulares e diversas outras complicações relacionadas ao excesso de peso.

O consenso também reforça que Ozempic e Mounjaro não devem ser utilizados apenas com finalidade estética. A indicação deve ocorrer após avaliação médica criteriosa, considerando o índice de massa corporal (IMC), doenças associadas e o histórico clínico de cada paciente.

Além disso, durante o tratamento é fundamental monitorar possíveis efeitos colaterais, como náuseas, vômitos, constipação, desconforto gastrointestinal e alterações nutricionais, realizando ajustes sempre que necessário.

Especialistas destacam que a obesidade resulta da interação entre fatores genéticos, hormonais, metabólicos, psicológicos, ambientais e sociais. Dessa forma, o tratamento mais eficaz continua sendo aquele que combina medicamentos, alimentação saudável, atividade física regular, suporte psicológico e acompanhamento médico.

A expectativa é que o novo consenso internacional sirva como referência para profissionais de saúde em todo o mundo, padronizando condutas e garantindo maior segurança aos pacientes que utilizam medicamentos modernos para o controle da obesidade.