O uso de criptomoedas por organizações criminosas atingiu um novo patamar e passou a preocupar autoridades internacionais. Em relatório divulgado nesta quinta-feira (16), o Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI/FATF) alertou que facções criminosas e redes de lavagem de dinheiro estão movimentando bilhões de dólares por meio de ativos virtuais, aproveitando lacunas na regulamentação e na fiscalização em diferentes países.
Segundo o organismo, criado para combater a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo, o crescimento do mercado de criptomoedas ampliou as oportunidades para grupos criminosos ocultarem recursos obtidos de atividades ilegais, como tráfico de drogas, golpes financeiros, extorsão, crimes cibernéticos e corrupção.
O relatório destaca que muitos países ainda não implementaram integralmente as recomendações internacionais voltadas ao controle de empresas que oferecem serviços com criptomoedas, como corretoras, plataformas de negociação e prestadores de serviços de ativos virtuais.
Essa falta de uniformidade regulatória permite que criminosos movimentem recursos entre diferentes jurisdições, dificultando a identificação dos responsáveis e o rastreamento do dinheiro ilícito.
O GAFI ressalta que as criptomoedas, por si só, não representam uma atividade ilícita. Ativos digitais como Bitcoin e Ethereum possuem diversas aplicações legítimas, incluindo investimentos, pagamentos internacionais e inovação financeira.
O problema, segundo o órgão, está no uso dessas tecnologias por organizações criminosas que exploram mecanismos de anonimização e plataformas com controles insuficientes para esconder a origem dos recursos.
Entre as recomendações apresentadas pelo GAFI estão:
O objetivo é reduzir as oportunidades de lavagem de dinheiro e impedir que organizações criminosas utilizem o mercado de criptomoedas como alternativa ao sistema financeiro tradicional.
Especialistas destacam que o avanço das criptomoedas exige que governos acompanhem a evolução tecnológica sem comprometer a inovação do setor.
À medida que ativos digitais se tornam mais populares, cresce também a necessidade de mecanismos capazes de identificar operações ilícitas sem prejudicar usuários e empresas que utilizam a tecnologia de forma legítima.
Para o GAFI, o combate ao crime financeiro dependerá de uma atuação coordenada entre países, reguladores e empresas do setor, reduzindo as brechas que hoje permitem a circulação de bilhões de dólares provenientes de atividades criminosas.