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Crime organizado movimenta bilhões por meio de criptomoedas e preocupa autoridades globais
Grupo de Ação Financeira Internacional alerta que organizações criminosas exploram falhas na regulamentação para lavar dinheiro e financiar atividades ilícitas com ativos digitais
16/07/2026 13h40
Por: Admin Fonte: Portal Vale do Paraiba

O uso de criptomoedas por organizações criminosas atingiu um novo patamar e passou a preocupar autoridades internacionais. Em relatório divulgado nesta quinta-feira (16), o Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI/FATF) alertou que facções criminosas e redes de lavagem de dinheiro estão movimentando bilhões de dólares por meio de ativos virtuais, aproveitando lacunas na regulamentação e na fiscalização em diferentes países.

Segundo o organismo, criado para combater a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo, o crescimento do mercado de criptomoedas ampliou as oportunidades para grupos criminosos ocultarem recursos obtidos de atividades ilegais, como tráfico de drogas, golpes financeiros, extorsão, crimes cibernéticos e corrupção.

Falta de padronização favorece crimes

O relatório destaca que muitos países ainda não implementaram integralmente as recomendações internacionais voltadas ao controle de empresas que oferecem serviços com criptomoedas, como corretoras, plataformas de negociação e prestadores de serviços de ativos virtuais.

Essa falta de uniformidade regulatória permite que criminosos movimentem recursos entre diferentes jurisdições, dificultando a identificação dos responsáveis e o rastreamento do dinheiro ilícito.

Criptomoedas não são ilegais

O GAFI ressalta que as criptomoedas, por si só, não representam uma atividade ilícita. Ativos digitais como Bitcoin e Ethereum possuem diversas aplicações legítimas, incluindo investimentos, pagamentos internacionais e inovação financeira.

O problema, segundo o órgão, está no uso dessas tecnologias por organizações criminosas que exploram mecanismos de anonimização e plataformas com controles insuficientes para esconder a origem dos recursos.

Países precisam reforçar fiscalização

Entre as recomendações apresentadas pelo GAFI estão:

  • fortalecimento da supervisão sobre empresas que operam com ativos virtuais;
  • adoção de regras internacionais padronizadas para identificação de clientes;
  • ampliação da cooperação entre autoridades policiais e órgãos reguladores;
  • compartilhamento de informações entre países para rastrear operações suspeitas.

O objetivo é reduzir as oportunidades de lavagem de dinheiro e impedir que organizações criminosas utilizem o mercado de criptomoedas como alternativa ao sistema financeiro tradicional.

Mercado cresce junto com os desafios

Especialistas destacam que o avanço das criptomoedas exige que governos acompanhem a evolução tecnológica sem comprometer a inovação do setor.

À medida que ativos digitais se tornam mais populares, cresce também a necessidade de mecanismos capazes de identificar operações ilícitas sem prejudicar usuários e empresas que utilizam a tecnologia de forma legítima.

Para o GAFI, o combate ao crime financeiro dependerá de uma atuação coordenada entre países, reguladores e empresas do setor, reduzindo as brechas que hoje permitem a circulação de bilhões de dólares provenientes de atividades criminosas.