A utilização da inteligência artificial nos processos de recrutamento tem transformado a forma como empresas selecionam candidatos. Ferramentas automatizadas são capazes de analisar milhares de currículos em poucos minutos, identificar palavras-chave e classificar perfis conforme os requisitos de cada vaga. No entanto, uma pesquisa recente acendeu um alerta: um mesmo sistema de IA pode avaliar negativamente um candidato e influenciar sua rejeição em diferentes empresas.
Segundo o estudo, diversas companhias utilizam plataformas baseadas em tecnologias semelhantes para fazer a triagem inicial dos currículos. Isso significa que, caso um candidato seja mal avaliado por determinado algoritmo, ele poderá enfrentar dificuldades em vários processos seletivos, mesmo quando as vagas forem oferecidas por empresas distintas.
Especialistas afirmam que a inteligência artificial não toma decisões de forma totalmente independente. Os sistemas são treinados com dados fornecidos pelas empresas e utilizam critérios previamente definidos para identificar candidatos considerados mais compatíveis com cada oportunidade.
Entretanto, quando esses critérios são excessivamente rígidos ou os dados utilizados apresentam vieses, profissionais qualificados podem ser eliminados antes mesmo que seus currículos sejam analisados por um recrutador humano.
Outro fator apontado pelos pesquisadores é a crescente utilização da própria inteligência artificial pelos candidatos para elaborar currículos. Esse movimento tem tornado muitos documentos semelhantes entre si, reduzindo a capacidade de diferenciação durante as seleções automatizadas.
Especialistas recomendam que os candidatos personalizem o currículo para cada vaga, utilizem informações verdadeiras, destaquem experiências relevantes e revisem cuidadosamente o texto antes do envio, evitando depender exclusivamente de conteúdos gerados por IA.
Embora a tecnologia traga ganhos de agilidade para os departamentos de recursos humanos, pesquisadores defendem que ela seja utilizada como ferramenta de apoio, e não como substituta da avaliação humana, principalmente em decisões que podem impactar a trajetória profissional de milhares de pessoas.