A inteligência artificial vem transformando a forma como empresas produzem conteúdo, analisam dados e desenvolvem estratégias de marketing. No setor da saúde, porém, especialistas alertam que a tecnologia, por si só, não garante melhores resultados. A combinação entre experiência humana e dados de qualidade continua sendo considerada essencial para decisões mais seguras e eficientes.
Para o médico e fundador da MNG, empresa especializada em marketing para o setor médico, João Amorim, a principal mudança provocada pela inteligência artificial foi reduzir o tempo e o custo para executar tarefas consideradas básicas.
Segundo ele, atividades que antes exigiam dias de trabalho, como análises de dados, elaboração de campanhas e produção de conteúdo, hoje podem ser realizadas em poucos minutos com o auxílio da tecnologia.
No entanto, o especialista afirma que esse avanço também elevou o nível de exigência do mercado.
"O que antes era considerado um bom trabalho passou a ser apenas o ponto de partida. A inteligência artificial tornou o razoável algo comum, e isso exige profissionais cada vez mais preparados para interpretar os dados e tomar decisões estratégicas."
Para explicar esse cenário, João Amorim compara a inteligência artificial a um carro de Fórmula 1.
Segundo ele, a tecnologia possui enorme capacidade, mas seu desempenho depende da experiência de quem está no comando.
"Um piloto experiente consegue extrair o máximo desempenho. Já uma pessoa sem preparo dificilmente aproveitará todo o potencial da ferramenta", afirma.
Na prática, isso significa que a inteligência artificial pode acelerar análises, identificar padrões e cruzar informações em grande volume, mas ainda depende da interpretação humana para transformar esses dados em estratégias eficazes.
Outro ponto destacado pelo especialista é a importância da qualidade das informações utilizadas pelos sistemas de inteligência artificial.
Segundo ele, muitas clínicas e empresas ainda analisam apenas indicadores superficiais das campanhas digitais, como custo por clique, custo por lead e quantidade de contatos iniciados pelo WhatsApp.
Esses dados mostram apenas parte da jornada do paciente.
Para uma análise mais eficiente, é necessário acompanhar todo o processo, desde o primeiro contato até a realização da consulta, do procedimento e do retorno financeiro obtido.
Sem esse acompanhamento, a inteligência artificial pode produzir análises sofisticadas, porém baseadas em informações incompletas.
João Amorim destaca que o marketing médico possui características específicas que nem sempre são compreendidas por sistemas automatizados.
Diferenças entre especialidades, perfil dos pacientes, comportamento regional e objetivos de cada clínica influenciam diretamente os resultados das campanhas.
Segundo ele, esse conhecimento é construído ao longo da experiência profissional e não pode ser substituído apenas pelo uso da tecnologia.
Para o especialista, a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta capaz de aumentar a produtividade das equipes, e não como substituta do conhecimento técnico.
Ele afirma que profissionais experientes conseguem utilizar a tecnologia para produzir análises mais rápidas e decisões mais precisas, enquanto o uso sem planejamento pode levar a interpretações equivocadas e prejuízos para as estratégias.
Na avaliação de João Amorim, o diferencial competitivo das empresas tende a estar cada vez menos no acesso à inteligência artificial e mais na capacidade de utilizá-la de forma estratégica, combinando tecnologia, experiência e dados confiáveis para apoiar a tomada de decisões.