O avanço da inteligência artificial trouxe inúmeras possibilidades para diferentes áreas, mas também abriu espaço para novas modalidades de fraude. Um exemplo recente envolve um médico brasileiro que teve sua imagem, voz e identidade clonadas por inteligência artificial para divulgar vídeos falsos no YouTube promovendo supostas "curas milagrosas" para diversas doenças.
O profissional afirmou que nunca participou das gravações e alertou que o conteúdo pode colocar vidas em risco, especialmente de idosos e pessoas vulneráveis que buscam tratamentos para doenças graves. Segundo ele, algumas vítimas podem abandonar terapias médicas comprovadas ao acreditar nas falsas promessas divulgadas pelos vídeos manipulados.
Os vídeos foram produzidos utilizando técnicas conhecidas como deepfake, capazes de reproduzir com elevado nível de realismo a aparência, os movimentos faciais e a voz de uma pessoa.
Com ferramentas cada vez mais acessíveis, criminosos conseguem criar conteúdos falsos que simulam entrevistas, palestras e recomendações médicas, dificultando a identificação da fraude por usuários comuns.
Segundo especialistas em segurança digital, esse tipo de golpe vem crescendo em todo o mundo à medida que os modelos de inteligência artificial se tornam mais avançados.
Nos vídeos, o falso médico recomenda tratamentos sem comprovação científica para diversas doenças.
Além de configurar possível crime contra o consumidor, esse tipo de conteúdo pode estimular pacientes a interromper medicamentos prescritos por profissionais habilitados, aumentando o risco de agravamento da doença.
O médico afirmou que já adotou medidas judiciais para remover os vídeos e responsabilizar os envolvidos pela utilização indevida de sua imagem.
Especialistas alertam que pessoas idosas costumam ser mais vulneráveis a esse tipo de golpe, principalmente quando procuram informações sobre tratamentos de doenças crônicas.
Criminosos exploram justamente a credibilidade associada à imagem de médicos conhecidos para transmitir sensação de confiança e convencer vítimas a adquirir suplementos, medicamentos ou terapias sem eficácia comprovada.
Além do prejuízo financeiro, existe o risco de atrasar diagnósticos e comprometer tratamentos realmente necessários.
Especialistas orientam que a população adote alguns cuidados antes de confiar em conteúdos médicos encontrados na internet:
O caso reforça os desafios trazidos pelo uso indevido da inteligência artificial e evidencia a necessidade de ampliar mecanismos de verificação, combate às fraudes digitais e educação da população sobre os riscos dos conteúdos manipulados na internet.