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Governo vê riscos de manipulação emocional e coleta de dados em brinquedos com inteligência artificial vendidos no Brasil
Nota técnica do Ministério da Justiça aponta preocupações com privacidade, segurança infantil e uso de IA em produtos capazes de conversar, reconhecer rostos e coletar informações de crianças
08/07/2026 10h26
Por: Admin Fonte: Portal Vale do Paraiba

O avanço da inteligência artificial chegou também ao universo dos brinquedos infantis. Bonecas que conversam, robôs capazes de responder perguntas, animais de estimação eletrônicos e dispositivos conectados à internet já fazem parte do mercado brasileiro. No entanto, uma análise do Ministério da Justiça e Segurança Pública acendeu um alerta sobre os riscos que essas tecnologias podem representar para crianças e adolescentes.

Uma nota técnica elaborada pela Secretaria Nacional de Direitos Digitais aponta que diversos brinquedos equipados com inteligência artificial podem realizar coleta excessiva de dados pessoais, estimular formas de manipulação emocional e apresentar falhas relacionadas à transparência no tratamento das informações das crianças. O documento recomenda maior fiscalização desses produtos e uma avaliação mais rigorosa sobre sua comercialização no país.

Brinquedos inteligentes coletam grande volume de informações

Os chamados smart toys utilizam microfones, câmeras, sensores e sistemas de inteligência artificial para interagir com seus usuários.

Dependendo do modelo, esses equipamentos conseguem:

Segundo o Ministério da Justiça, justamente essa capacidade de interação levanta preocupações relacionadas à privacidade infantil e ao tratamento adequado dos dados coletados.

Manipulação emocional preocupa especialistas

Além da coleta de informações, a nota técnica destaca outro ponto considerado sensível: a possibilidade de manipulação emocional.

Especialistas alertam que crianças pequenas tendem a desenvolver vínculos afetivos com brinquedos capazes de conversar e responder de forma personalizada.

Quando essa interação é utilizada para influenciar comportamentos, estimular consumo ou direcionar decisões, surgem preocupações sobre possíveis impactos no desenvolvimento infantil.

O documento recomenda que fabricantes adotem mecanismos de transparência para que pais e responsáveis compreendam exatamente como esses sistemas funcionam.

Privacidade infantil ganha destaque

A proteção de dados de crianças possui tratamento diferenciado na legislação brasileira.

Por isso, o Ministério da Justiça defende que brinquedos equipados com inteligência artificial sejam avaliados não apenas como produtos eletrônicos, mas também sob a ótica da proteção de direitos digitais da infância.

Entre as recomendações estão maior clareza sobre quais dados são coletados, onde ficam armazenados, por quanto tempo permanecem disponíveis e se podem ser compartilhados com terceiros.

Mercado cresce rapidamente

Especialistas apontam que os brinquedos inteligentes representam um dos segmentos que mais crescem na indústria de tecnologia voltada ao público infantil.

A tendência é que novos produtos utilizem inteligência artificial generativa, processamento de linguagem natural e sistemas cada vez mais sofisticados de interação.

Diante desse cenário, o governo brasileiro pretende ampliar o debate sobre segurança digital infantil e avaliar a necessidade de novas regras para fabricantes, importadores e plataformas de comércio eletrônico que oferecem esse tipo de produto no país.