A Meta informou que enfrenta uma das maiores disputas judiciais de sua história nos Estados Unidos. Segundo documentos apresentados à Justiça, quatro estados norte-americanos pretendem aplicar penalidades que podem chegar a US$ 1,4 trilhão (cerca de R$ 7,7 trilhões na cotação atual), sob a acusação de que Facebook e Instagram foram projetados para estimular comportamento compulsivo entre crianças e adolescentes.
O processo será analisado em agosto por um tribunal federal na Califórnia e integra uma série de ações movidas por procuradores estaduais que acusam a empresa de priorizar lucros em detrimento da segurança dos usuários mais jovens.
Segundo a ação, os algoritmos das redes sociais utilizariam mecanismos capazes de prolongar o tempo de permanência dos usuários por meio de notificações, recomendações automáticas e sistemas de recompensa psicológica.
Os estados alegam que a Meta teria conhecimento dos impactos dessas estratégias sobre a saúde mental de adolescentes, mas não teria adotado medidas suficientes para reduzir os riscos.
A empresa rejeita todas as acusações.
Em manifestação apresentada à Justiça, a Meta afirmou que os cálculos utilizados pelos estados são "sem fundamento jurídico e fático" e classificou o valor das possíveis penalidades como desproporcional.
A companhia também sustenta que o conceito de "vício em redes sociais" ainda não possui reconhecimento formal como diagnóstico psiquiátrico e afirma continuar investindo em ferramentas de proteção para adolescentes e famílias.
Especialistas avaliam que o julgamento poderá estabelecer um importante precedente para a responsabilização das plataformas digitais.
Além da Meta, empresas como TikTok, YouTube e Snapchat também enfrentam processos semelhantes relacionados aos impactos das redes sociais sobre crianças e adolescentes.
Caso haja condenação, a decisão poderá influenciar futuras regulações sobre algoritmos, proteção de menores e responsabilidade das plataformas digitais em diversos países.