Saúde Saude
Anvisa aprova uso mais precoce de terapia contra câncer de mama HER2-positivo no Brasil
Nova indicação do medicamento Enhertu amplia possibilidades de tratamento para pacientes com doença invasiva residual após terapia inicial
08/07/2026 10h18
Por: Admin Fonte: Portal Vale do Paraiba

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação terapêutica para o medicamento Enhertu®, cujo princípio ativo é o trastuzumabe deruxtecana, utilizado no tratamento de determinados casos de câncer de mama HER2-positivo. Com a decisão, a terapia poderá ser utilizada mais cedo na jornada de tratamento de pacientes adultos que apresentam doença invasiva residual após tratamento inicial com trastuzumabe, com ou sem pertuzumabe, associado à quimioterapia baseada em taxanos.

A autorização representa um avanço importante para pacientes com câncer de mama HER2-positivo, subtipo considerado mais agressivo e associado a maior risco de recorrência. A nova indicação permite que a medicação seja usada em uma fase anterior da doença, antes que o câncer evolua para estágios mais avançados.

Segundo a Anvisa, o medicamento já era registrado no Brasil para câncer de mama, mas passa agora a contar com essa nova indicação para tratamento auxiliar em pacientes com doença invasiva residual.

Entenda o câncer de mama HER2-positivo

O câncer de mama HER2-positivo ocorre quando as células tumorais apresentam excesso da proteína HER2, responsável por estimular o crescimento celular. Quando há superexpressão dessa proteína, o tumor tende a crescer e se espalhar com mais rapidez.

De acordo com a Anvisa, entre 10% e 19% dos casos de câncer de mama apresentam superexpressão do HER2, subtipo associado a maior agressividade e pior prognóstico.

Apesar disso, os avanços da medicina nos últimos anos permitiram o desenvolvimento de terapias direcionadas, que atacam características específicas das células tumorais, melhorando as possibilidades de controle da doença.

O que muda com a nova aprovação

Na prática, a decisão permite que médicos utilizem o Enhertu em pacientes que, mesmo após tratamento inicial, ainda apresentam sinais de doença invasiva residual. Esse grupo costuma ter maior risco de recidiva, ou seja, de retorno do câncer.

O medicamento pertence à classe dos conjugados anticorpo-fármaco. Esse tipo de tratamento combina um anticorpo direcionado à célula tumoral com uma substância quimioterápica, permitindo uma ação mais precisa contra o câncer.

A proposta é levar o medicamento diretamente às células que expressam HER2, reduzindo a progressão da doença e ampliando as estratégias disponíveis para oncologistas.

Câncer de mama ainda é grande desafio de saúde pública

O câncer de mama é o tipo de câncer mais diagnosticado no mundo e uma das principais causas de morte por câncer entre mulheres. No Brasil, a estimativa é de mais de 70 mil novos casos por ano, segundo informações citadas pela Anvisa.

Por isso, especialistas reforçam que o diagnóstico precoce continua sendo fundamental. Consultas regulares, exames de rastreamento e atenção a alterações nas mamas aumentam as chances de identificar a doença em fases iniciais, quando o tratamento tende a apresentar melhores resultados.

Tratamento deve ser individualizado

Apesar do avanço, médicos ressaltam que a indicação de qualquer terapia contra o câncer deve ser feita de forma individualizada, considerando o estágio da doença, o perfil molecular do tumor, o histórico clínico da paciente e a resposta aos tratamentos anteriores.

A aprovação da Anvisa amplia o arsenal terapêutico disponível no país, mas não substitui a avaliação especializada. Pacientes em tratamento devem conversar com seus oncologistas para entender se a nova indicação se aplica ao seu caso.