
Medicamentos conhecidos popularmente como "canetas emagrecedoras", utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, vêm despertando interesse também na oncologia. Estudos recentes apresentados durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO 2026) sugerem que agonistas do receptor de GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, podem contribuir para reduzir a progressão de alguns tipos de câncer relacionados à obesidade.
Os resultados chamaram atenção da comunidade científica principalmente por envolver tumores de pulmão, mama, colorretal e fígado, nos quais foi observada redução da progressão de metástases em determinados grupos de pacientes.
Pesquisadores ressaltam que os estudos ainda são preliminares e não comprovam que esses medicamentos tratem diretamente o câncer.
A principal hipótese é que a perda de peso, a melhora do metabolismo, a redução da resistência à insulina e a diminuição da inflamação crônica possam criar um ambiente menos favorável ao desenvolvimento e à progressão tumoral.
Especialistas alertam que os medicamentos permanecem aprovados apenas para tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
Até o momento, nenhuma agência reguladora autorizou seu uso como terapia contra o câncer.
Os pesquisadores defendem que novos ensaios clínicos sejam realizados antes que qualquer mudança nas indicações terapêuticas seja considerada.
A obesidade já é reconhecida como fator de risco para pelo menos 13 tipos de câncer.
Por isso, estratégias que promovem redução de peso e melhora metabólica podem contribuir indiretamente para diminuir riscos e melhorar a resposta aos tratamentos convencionais.
Mesmo diante dos resultados promissores, médicos reforçam que pacientes oncológicos jamais devem iniciar ou interromper qualquer medicamento sem orientação do oncologista responsável.
Mín. 12° Máx. 28°


