Uma pesquisa realizada pelo Procon-SP acendeu um alerta para os consumidores paulistas: o mesmo medicamento pode apresentar uma diferença de preço superior a 2.400%, dependendo da farmácia escolhida. O levantamento, divulgado em junho, analisou mais de 70 medicamentos de referência e genéricos comercializados em estabelecimentos físicos e plataformas online da capital paulista, revelando variações expressivas que reforçam a importância da pesquisa antes da compra.
O estudo foi realizado nos dias 19 e 20 de maio em dez farmácias e drogarias distribuídas pelas cinco regiões da cidade de São Paulo. Paralelamente, os especialistas também pesquisaram os preços praticados por dez grandes redes de farmácias em seus sites oficiais, utilizando um endereço de IP localizado na região central da capital.
Os resultados mostram que, embora os preços estejam dentro do limite estabelecido pela legislação, a diferença entre um estabelecimento e outro pode representar uma economia significativa para o consumidor.
Entre todos os medicamentos analisados, o destaque ficou para o genérico Tadalafila 5 mg, vendido em embalagem com 30 comprimidos.
Segundo o levantamento, o produto foi encontrado por R$ 98,05 em uma farmácia localizada na Zona Norte da capital paulista, enquanto outro estabelecimento da Zona Sul comercializava exatamente o mesmo medicamento por apenas R$ 3,87.
A diferença chegou a impressionantes 2.433,59%, a maior registrada em toda a pesquisa.
O dado chama atenção porque o mesmo medicamento já havia liderado o ranking de maior variação no levantamento realizado pelo Procon-SP em 2025, quando a diferença entre os estabelecimentos foi de 2.091,57%.
Entre os medicamentos de referência, a maior diferença de preço foi registrada com o Synthroid 25 mcg, utilizado no tratamento de doenças da tireoide.
A embalagem com 30 comprimidos foi encontrada por R$ 41,43 em uma farmácia da Zona Norte da capital e por R$ 10,73 em outro estabelecimento, resultando em uma variação de 286,11%.
Embora menor que a observada entre alguns medicamentos genéricos, a diferença também demonstra que pesquisar preços pode gerar uma economia significativa.
Outro dado importante da pesquisa confirma uma tendência já observada nos últimos anos: os medicamentos genéricos continuam apresentando preços médios muito inferiores aos dos medicamentos de referência.
Nas lojas físicas analisadas pelo Procon-SP, os genéricos custavam, em média, 63,05% menos que os medicamentos de marca equivalentes.
Já nas farmácias virtuais, essa diferença foi ainda maior, chegando a 66,18%.
O levantamento reforça que os medicamentos genéricos possuem a mesma eficácia, segurança e qualidade exigidas pelos órgãos reguladores, sendo uma alternativa mais econômica para pacientes que possuem prescrição médica.
Além da comparação entre diferentes farmácias, o estudo também revelou que, de maneira geral, os preços encontrados nas lojas virtuais foram menores do que aqueles praticados nas unidades físicas.
Segundo o Procon-SP:
O órgão ressalta, entretanto, que esses valores não consideram despesas adicionais, como frete ou descontos oferecidos por programas de fidelidade.
Outro ponto observado pelo estudo foi o aumento médio dos preços em relação ao ano anterior.
Na comparação entre os medicamentos pesquisados em 2025 e 2026, foi registrado:
No mesmo período, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, acumulou alta de 4,99%, indicando que os medicamentos tiveram reajustes superiores à inflação oficial.
Já entre os produtos comercializados nos sites pesquisados, o aumento foi mais moderado:
Apesar das diferenças encontradas entre os estabelecimentos, o Procon-SP informou que todos os medicamentos pesquisados estavam sendo vendidos dentro dos limites estabelecidos pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão responsável pelo controle dos preços no país.
Os valores máximos autorizados são definidos anualmente e divulgados por meio da Lista de Preços Máximos ao Consumidor (PMC), documento que deve permanecer disponível para consulta em farmácias e drogarias.
Além da capital, o levantamento foi expandido para outros municípios do Estado de São Paulo, permitindo que consumidores consultem os preços praticados em suas respectivas regiões.
Entre as cidades participantes estão:
O objetivo é oferecer maior transparência ao mercado e auxiliar a população na comparação de preços antes da compra.
Diante das diferenças encontradas, o Procon-SP reforça algumas recomendações importantes para quem precisa adquirir medicamentos.
Entre elas estão:
Segundo o órgão de defesa do consumidor, pequenas pesquisas podem representar uma economia expressiva, especialmente para pacientes que fazem uso contínuo de medicamentos, contribuindo para reduzir os gastos familiares sem comprometer a segurança do tratamento.