Economia Economia
Recuperações extrajudiciais avançam no agro e expõem fragilidades na gestão de riscos e contratos
Crescimento acelerado das recuperações extrajudiciais no agronegócio, que já somam cerca de R$ 98 bilhões em dívidas previstas para 2026, evidencia problemas na estruturação de contratos, gestão de riscos e sustentabilidade financeira de projetos de longo prazo no Brasil.
06/07/2026 15h40
Por: Admin Fonte: Portal Vale do Paraiba

São Paulo, julho de 2026 –  O avanço das recuperações extrajudiciais no agronegócio brasileiro começa a revelar um problema que vai além do atual cenário econômico adverso. O crescimento acelerado desse mecanismo de reestruturação financeira expõe fragilidades estruturais na forma como contratos, financiamentos e projetos de longo prazo vêm sendo estruturados e geridos ao longo do tempo em setores intensivos em capital.

O endividamento do agronegócio brasileiro já soma aproximadamente R$ 98 bilhões em dívidas relacionadas a processos de recuperação extrajudicial previstos para 2026, segundo levantamentos recentes do setor. Desde 2022, foram registrados 163 pedidos de recuperação extrajudicial no agro, sendo 87 apenas em 2024, evidenciando uma aceleração significativa no uso desse instrumento. Atualmente, cerca de 38 processos seguem em andamento, em um ambiente marcado por juros elevados, restrição de crédito e aumento dos custos operacionais.

O movimento também acompanha uma mudança na forma como empresas e credores têm buscado soluções para reestruturação financeira. Diferentemente da recuperação judicial, a recuperação extrajudicial permite negociações mais ágeis, maior flexibilidade entre as partes envolvidas e menor exposição reputacional para as empresas. Na prática, o modelo passa a ganhar espaço como alternativa para reorganização financeira em operações complexas.

Para Hilton Junior, vice-presidente da SWOT Global, engenheiro e perito especializado em projetos complexos, disputas contratuais e reestruturações empresariais, o crescimento das recuperações extrajudiciais reflete não apenas dificuldades conjunturais, mas também problemas estruturais acumulados ao longo do tempo. “O crescimento das recuperações extrajudiciais no agronegócio não é apenas reflexo do cenário econômico, mas também de fragilidades estruturais na forma como contratos e financiamentos são concebidos. Em muitos casos, faltam mecanismos que permitam absorver variações ao longo do tempo, o que acaba levando à necessidade de reestruturação”, afirma.

Segundo especialistas do setor, grande parte das situações que evoluem para processos de recuperação poderiam ser mitigadas por meio de uma estruturação mais robusta desde a origem dos contratos. Entre os problemas mais recorrentes estão ausência de adequada alocação de riscos, fragilidade em cláusulas de revisão contratual, falta de monitoramento contínuo de indicadores financeiros e operacionais e deficiência na produção e organização de registros técnicos e evidências ao longo da execução dos projetos.

O cenário é especialmente relevante em setores que dependem fortemente de financiamento e operam com contratos de longo prazo sujeitos a oscilações econômicas e de mercado. Além do agronegócio, áreas como infraestrutura, energia e construção pesada compartilham características semelhantes, incluindo alta exposição a ciclos econômicos, elevada necessidade de capital e operações de grande complexidade contratual.

Nesse contexto, o avanço das recuperações extrajudiciais começa a indicar uma mudança mais ampla na gestão de riscos corporativos. Empresas, investidores e credores passam a demandar modelos mais sofisticados de proteção contratual preventiva, análise integrada entre engenharia, finanças e jurídico, além da criação de mecanismos de reequilíbrio econômico-financeiro capazes de absorver oscilações ao longo do tempo.

Ao mesmo tempo, os próprios processos de reestruturação tornam-se cada vez mais técnicos e multidisciplinares. A condução dessas operações exige reconstrução de históricos econômico-financeiros, análise detalhada de contratos, avaliação de obrigações, quantificação de impactos e desenvolvimento de cenários de viabilidade para negociação entre empresas, credores e investidores.

Segundo Hilton Junior, o crescimento das recuperações extrajudiciais tende a alterar permanentemente a forma como grandes projetos serão estruturados daqui para frente. “O mercado começa a perceber que não basta apenas estruturar contratos para cenários positivos. Em operações complexas e de longo prazo, é necessário prever mecanismos capazes de responder a mudanças econômicas, financeiras e operacionais ao longo da execução. A tendência é que empresas passem a investir cada vez mais em modelos preventivos de gestão de risco e proteção contratual”, conclui.

Sobre a SWOT Global

A SWOT Global é uma empresa brasileira especializada em Engenharia Forense, Análise de Riscos e Gestão de Projetos. Fundada em 2019, a empresa atua em projetos complexos e disputas contratuais, oferecendo soluções técnicas e estratégicas para clientes dos setores de infraestrutura, energia, construção e indústria. A SWOT Global é reconhecida pela sua expertise em análise de riscos, auditoria técnica e gestão de projetos, e tem se destacado como uma das principais empresas do setor no Brasil.