Cidades Cidades
Brasil desenvolve foguete nacional para reduzir dependência externa em lançamentos espaciais
Empresas de São José dos Campos e Jacareí participam do projeto que pode colocar o país entre as nações com acesso independente ao espaço
09/05/2026 12h57
Por: Admin Fonte: Portal Vale do Paraiba

O Brasil está desenvolvendo um foguete nacional capaz de colocar satélites em órbita sem depender de outros países. O projeto, considerado um dos mais importantes da atualidade no setor aeroespacial brasileiro, conta com participação direta de empresas instaladas no Vale do Paraíba, especialmente em São José dos Campos e Jacareí.

Chamado de Microlançador Brasileiro (MLBR), o foguete de pequeno porte está sendo desenvolvido por um consórcio formado por empresas nacionais, com apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

O microlançador terá aproximadamente 12 metros de altura — equivalente a um prédio de quatro andares — e capacidade para transportar satélites de até 40 quilos.

Segundo a Agência Espacial Brasileira, poucos países no mundo possuem atualmente capacidade própria de lançar satélites ao espaço, entre eles Estados Unidos, Rússia, China e Índia. Caso o projeto seja concluído com sucesso, o Brasil poderá entrar para esse grupo seleto de nações com acesso independente ao espaço.

Uma das empresas que lidera o desenvolvimento é a CENIC, responsável por parte da tecnologia utilizada no projeto.

De acordo com os engenheiros envolvidos, os satélites lançados pelo MLBR poderão ser utilizados em áreas estratégicas como telecomunicações, monitoramento ambiental, agricultura, defesa, previsão meteorológica e sistemas de navegação.

“Existe uma grande quantidade de aplicações possíveis, desde sistemas próprios de navegação semelhantes ao GPS até sistemas de observação da Terra e sensoriamento”, afirmou o engenheiro Ralph Correa, em entrevista à Rede Vanguarda.

Ao todo, dez empresas brasileiras participam do desenvolvimento do foguete. Grande parte delas está localizada no Vale do Paraíba, incluindo a PlasmaHub e outras companhias ligadas ao setor aeroespacial e de engenharia avançada.

As empresas atuam em áreas como sistemas de lançamento, aerodinâmica, propulsão e desenvolvimento de tecnologias espaciais para o microlançador.

Segundo os responsáveis pelo projeto, o desenvolvimento do foguete representa um avanço estratégico para o país, ampliando a autonomia tecnológica brasileira em um setor considerado altamente complexo e restrito mundialmente.

“Para o Brasil conseguir autonomia no lançamento desses foguetes é como conquistar uma chave que abre as portas para o espaço. No mundo, pouquíssimos países possuem essa chave”, afirmou Toshiaki Yoshino, diretor de programas do projeto.

A expectativa é que o primeiro lançamento aconteça a partir de 2027, após a conclusão das etapas de testes e qualificação dos sistemas.

O lançamento deverá ser realizado no Centro de Lançamento de Alcântara, considerado estratégico por estar localizado próximo à linha do Equador, condição que favorece operações espaciais e reduz custos de lançamento.

O projeto recebeu investimento de R$ 189 milhões do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com a Agência Espacial Brasileira.

Para os engenheiros envolvidos, o desenvolvimento do MLBR também representa um marco para a valorização da ciência, tecnologia e engenharia nacional.

“É muito gratificante mostrar que o Brasil consegue produzir tecnologia de ponta e desenvolver projetos que são referência mundial”, destacou o engenheiro de sistemas Raphael Galate.