O hacker Walter Delgatti Neto, preso no complexo penitenciário de Tremembé, no interior de São Paulo, teve a pena reduzida em 100 dias após ser aprovado no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
A decisão foi assinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, no fim de março, e divulgada nesta segunda-feira (6), atendendo a um pedido da defesa do condenado.
De acordo com o documento, Delgatti conseguiu aprovação em todas as áreas de conhecimento avaliadas no exame, incluindo a redação, o que garantiu o direito à remição de pena — benefício previsto na legislação brasileira para detentos que se dedicam aos estudos.
A defesa também solicitou a redução adicional de dias por meio da leitura de livros, mas o pedido não foi aceito devido à ausência de comprovação das atividades.
Walter Delgatti está preso desde o ano passado no complexo de Tremembé, conhecido popularmente como “presídio dos famosos”. Ele chegou à unidade P2 em fevereiro de 2025 e, posteriormente, foi transferido para a Penitenciária 2 de Potim.
No início de 2026, o ministro Alexandre de Moraes autorizou a progressão do regime fechado para o semiaberto, permitindo o retorno do detento à unidade de Tremembé.
Delgatti foi condenado pelo STF a 8 anos e 3 meses de prisão por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em janeiro de 2023.
Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o ataque teve como objetivo comprometer a credibilidade do Judiciário e reforçar questionamentos sobre as eleições de 2022.
Durante a invasão, foram inseridos documentos falsos no sistema, incluindo uma suposta ordem de prisão contra o próprio ministro Alexandre de Moraes.
Antes dessa condenação, Delgatti já havia sido condenado em primeira instância a mais de 20 anos de prisão por invadir celulares de autoridades ligadas à Operação Lava Jato, no caso conhecido como Operação Spoofing.
Nesse processo, ele responde em liberdade, já que ainda existem recursos pendentes na Justiça Federal em Brasília.
A deputada federal Carla Zambelli também foi apontada pela PGR como mentora da invasão ao sistema do CNJ. Ela foi condenada a 10 anos de prisão, além da perda do mandato, e teve o nome incluído na lista de difusão vermelha da Interpol.